Mudança climática: um tema cada vez mais urgente


06.01.2007 - Embora não consiga chegar a uma resposta única, a comunidade internacional coincide quanto à urgência do desafio climático e às suas iminentes conseqüências para a humanidade.


Segundo um estudo publicado neste sábado em Londres pelo jornal Financial Times - com base nas informações do Grupo encarregado do Meio Ambiente da Comissão Européia - em 2050, o Mediterrâneo deverá enfrentar uma grande falta d''água, pelo que o fluxo turístico se dirigirá para o Norte da Europa, transformado em nova Riviera o que trará um forte impacto para o turismo numa região que inclui Espanha, Grécia e Itália. Uma previsão semelhante, anterior, foi divulgada há alguns meses pela cientista italiana, Claudia Tebaldi, em conjunto com colaboradores do National Center for Atmospheric Research. Segundo o relatório, um sexto dos turistas do mundo, ou cerca de 100 milhões de pessoas por ano, se dirigem habitualmente para o sul da Europa em suas férias, gastando cerca de 100 bilhões de euros - um panorama econômico ameaçado.


Em um outro estudo divulgado no final do ano passado, o economista britânico Nicholas Stern previu uma recessão "de proporções catastróficas" (mais de 5,5 bilhões de euros, 7,28 bilhões de dólares) como conseqüência da mudança climática, o que levou o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a considerar a situação ambiental uma "ameaça para a paz e a segurança", no mesmo nível que os conflitos, o tráfico de armas ou a pobreza.

As conclusões dos cientistas internacionais encarregados pela ONU, e aguardadas para este começo de 2007, em Paris, começam a confirmar as previsões mais pessimistas.


O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (GIEC, que reúne quase 5.000 cientistas do mundo todo), que faz a mais abrangente perícia sobre o tema, deve divulgar seu quarto relatório em 1º de fevereiro.

Na edição anterior, de 2001, o GIEC previu um aquecimento médio do planeta de +1,4 a +5,8° C até 2100. Desde então, as simulações em laboratório deram resultados semelhantes, disse o físico francês Hervé Le Treut, diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) francês, que participa dos trabalhos do GIEC.


"As evoluções que se podem prever continuam sendo as mesmas. Mas podemos acrescentar elementos desestabilizadores que não haviamos medido há alguns anos", explicou.

Ele citou os efeitos amplificadores do aquecimento, vinculados à modificação da vegetação continental, ao degelo antecipado da Groenlândia, à reação dos oceanos ou ao derretimento do "permafrost" (solo permanentemente congelado que, ao derreter, libera metano na atmosfera).

"A gama de riscos possíveis e sua percepção aumentaram", insistiu Hervé Le Treut.

"O que havíamos previsto desde 1990 se comprova hoje: uma trajetória ao redor de +0,2°C por década. O aquecimento se tornou mais visível", disse ainda o climatologista francês Jean Jouzel, membro da executiva do GIEC.


Degelo acelerado no Pólo Norte, desaparecimento programado das neves do Kilimanjaro, branqueamento dos corais, distúrbio das migrações.... Os sinais de alerta se multiplicam.

Na conferência climática de Nairóbi, em novembro, Annan denunciou uma "falta patente de liderança" na questão e pediu aos chefes de Estado e de governo que a assumam diretamente.

Ainda durante o encontro no Quênia, a União Européia conseguiu passar sua convicção de que com mais de 2°C suplementares o planeta ficará incontrolável, mas não conseguiu um consenso para uma resposta multilateral.


A Agência Internacional de Energia (AIE), por sua vez, lançou uma "mensagem de urgência", lembrando que o consumo energético do mundo é "insustentável". "Podemos esperar ainda uma década para ver se as tecnologias resolvem o problema", assegurou seu diretor, o francês Claude Mandil.

O dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa liberados na atmosfera e responsáveis pelo aquecimento climático, é produto essencialmente do consumo de combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão).

Apesar da urgência os países signatários do Protocolo de Kyoto se puseram de acordo sobre a necessidade de prorrogar este tratado, cuja primeira etapa expira em 2012.


Fonte: Terra notícias


 


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