Papa diz que Igreja reconhece instituições políticas, mas deve ser ouvida
07.03.2007 - O Papa Bento XVI reafirmou hoje que a Igreja reconhece a legitimidade das instituições políticas, mas que também "emerge outra soberania, a da verdade, e que tem o direito de ser ouvida".
Bento XVI fez esta afirmação ao lembrar, durante a catequese de hoje, a carta de São Clemente aos Coríntios, que contém uma invocação aos governantes e representa a mais antiga oração às instituições políticas.
Se reza por elas, "não só reconhece a legitimidade das instituições políticas na ordem estabelecida por Deus, mas também manifesta sua preocupação para que as autoridades exerçam o poder com paz e mansidão, dado que há outra soberania, que não é deste mundo, mas vem da montante, a da verdade, e que tem o direito de ser ouvida", disse o Papa.
Bento XVI destacou que, na carta de São Clemente, há a invocação aos governantes, "depois da perseguição e com pleno conhecimento de que continuariam as perseguições", e pediu aos cristãos que "rezem pelo perseguidor como Jesus fez na Cruz".
A audiência pública foi dedicada à figura de São Clemente, que foi o terceiro sucessor de São Pedro e que no anon de 96 escreveu uma carta aos Coríntios.
O Papa disse que, naquela carta, São Clemente explica que a Igreja "não é lugar de confusão ou anarquia, onde cada um faz o que quer" e na qual, pela primeira vez, aparece o termo em grego "laicos", que "significa membros do povo de Deus".
"Seu ideal (de São Clemente) da Igreja é um corpo ordenado sem nenhuma separação entre seus membros, onde a diferença entre o laico e a hierarquia eclesial não significa uma contraposição, mas uma composição de um organismo onde cada um tem diferentes atividades", disse.
Fonte: Terra notícia
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"Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". (Mt 22,21)