Morre na Itália bebê que sobreviveu a aborto


08.03.2007 - Morreu em Florença, na Itália, na manhã desta quinta-feira, o bebê que lutava pela vida na unidade de terapia intensiva do Hospital Pediátrico Meyer, depois de ter sobrevivido a uma tentativa de aborto no quinto mês de gravidez. A mãe tinha optado pelo aborto depois que dois exames indicaram a possibilidade de malformação do feto.

Após a cirurgia, feita na última sexta-feira, veio o choque: o bebê não apresentava qualquer problema, além dos causados pelo aborto, e ainda estava vivo. Segundo os médicos do hospital, o bebê, pesando apenas 500 gramas e medindo 20 centímetros, morreu devido a complicações cardio-respiratórias. Sobreviveu durante seis dias com uma hemorragia cerebral.

Exames

Giancarlo Scarselli, diretor do Departamento de Ginecologia do hospital, explicou que a opção pelo aborto foi feita pela mãe respeitando a lei italiana que regula as condições e procedimentos para a interrupção voluntária da gravidez.

Conforme Scarselli, o primeiro exame pré-natal, feito na 11ª de gravidez, indicava um problema de malformação. Na 20ª semana, foi feita uma nova ecografia em que não era possível ver o estômago e surgiram as primeiras dúvidas de que poderia tratar-se de uma atresia do esôfago - desenvolvimento incompleto do órgão, malformação que ocorre em um a cada 3,5 mil bebês.

Segundo Scarselli, a mulher se negou a fazer uma ressonância e a consultar um cirurgião pediátrico, como teriam aconselhado os médicos do hospital. "Infelizmente, somente depois do aborto, descobrimos que o bebê era saudável", afirmou.

Na avaliação dos médicos que acompanharam o caso, estampado nas capas dos jornais de Florença, foram seguidos todos os procedimentos normais de uma gravidez. Eles dizem que a opção pela interrupção voluntária foi tomada pela mãe.

Lei

Na Itália, o aborto é legal desde 1978 em algumas situações. Até 90 dias de gravidez, a mulher pode interrompê-la se trouxer perigo a sua saúde física, psíquica ou problemas a sua condição econômica, social ou familiar. O aborto também pode ser feito quando se prevêem anomalias ou malformações do feto.

Depois de 90 dias, é permitido em casos de grave risco à mãe e/ou de malformações. Segundo a lei 174, o Estado italiano também garante à mãe que decide fazer um aborto assistência clínica e psicológica.

Apesar da decisão pelo aborto ter sido tomada pela mãe, as autoridades médicas de Florença decidiram formar uma comissão para analisar o que ocorrreu durante a gravidez, interrompida no quinto mês. Eles querem saber se a mulher recebeu atendimento adequado com relação a assistência, diagnóstico, informação e comunicação.

Fonte: Terra notícias

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