Padre é mantido refém durante rebelião em Alagoas


24.04.2007 - Detentos rebelados no presídio Luiz de Oliveira Souza, em Arapiraca, na região agreste de Alagoas, mantêm duas pessoas reféns dentro da penitenciária. Uma das vítimas é o padre José Theisen. O motim começou às 14h desta terça-feira, após uma missa. Os setenta e nove detentos que lideram o movimento reclamam da superlotação no presídio de segurança média. A capacidade da penitenciária é de 128 pessoas, mas existem 290 presos no local.

No final da tarde, o clima no presídio piorou e os detentos exigiram a presença do juiz da Vara de Execuções Penais, Marcelo Tadeu, e do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), Gilberto Irineu, nas negociações. A rebelião já dura mais de 6 horas.

Horas antes do início da rebelião, o diretor do presídio, José Maria, disse que um grupo de detentos do regime semi-aberto é mantido em um galpão próximo ao presídio, com telhas de zinco e fechado apenas por um portão. A justificativa do diretor para o galpão é a superlotação do presídio de Arapiraca.

A rebelião é mais um capítulo da crise no sistema de segurança pública no Estado. Na manhã desta terça-feira, trabalhadores rurais sem-terra ocuparam por 3 horas o Porto de Maceió. À tarde, mulheres de soldados e cabos da Polícia Militar fizeram uma manifestação nas ruas de Maceió, cobrando do governo o cumprimento de decisão judicial que aumenta em mais de 80% o salário dos PMs, que ficaram aquartelados por dois dias, na semana passada. "Isso é para justificar o salário, que mal dá para nos alimentar", disse o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas.

Para tentar diminuir os índices de violência no Estado e discutir a crise na segurança, o governo, em parceria com o Ministério da Justiça, criou o Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que, nesta terça-feira, fez a sua quarta reunião, mas as ações do gabinete não vêm agradando a todos.

O presidente da Associação dos Magistrados Alagoanos (Almagis), juiz Paulo Zacarias, reclama que o "GGI precisa dar fruto em dois meses". Ele foi seqüestrado em março e ficou por 55 horas em poder dos bandidos, que foram capturados pela polícia, mas conseguiram fugir da sede do Tigre, o grupo de elite da Polícia Civil alagoana na semana passada. "Minha família está preocupada. Perdi o sossego", contou o magistrado.

Redação Terra


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