Vinda do Papa fará povo renovar a fé, diz arcebispo
26.04.2007 - O último arcebispo do mundo nomeado pelo papa João Paulo II, d. Milton Santos, atual arcebispo metropolitano de Cuiabá (MT), acredita que a vinda de Bento XVI fará com que o povo brasileiro renove sua fé.
"As pessoas se lembram da visita anterior do Papa, mas se prendem à pessoa de Karol Josef Wojtyla (João Paulo II) ou Joseph Ratzinger (Bento XVI). Eles são representantes de Jesus Cristo, pois são seus seguidores, os atuais apóstolos e guardiões da palavra de Deus. O chefe é Jesus Cristo, a Igreja Católica tem perseverado por milhares de anos porque é movida pelo Espírito Santo, nós somos apenas instrumentos de Deus. A visita de Bento XVI é para trazer novo fervor ao catolicismo no Brasil que trará repercussão em todas as dimensões", afirma d. Milton Santos.
O arcebispo metropolitano de Cuiabá comenta que Bento XVI vai analisar os problemas que afligem o povo brasileiro durante a V Conferência Episcopal Latino Americana (CELAM), como a violência, a corrupção na política, a pobreza crescente, a crise nas famílias e o sexo sem responsabilidade.
D. Milton dos Santos relembra que recebeu o Palio (insígnia que tem a forma de um colar que é colocado em volta do pescoço, feito de lã de ovelha) das mãos de João Paulo II no dia 29 de junho de 2004, na praça de São Pedro no Vaticano, em Roma, no dia da Festa de São Paulo e São Pedro. "Eu fui o primeiro a entrar na fila juntamente com os demais arcebispos do mundo inteiro e o último a ser nomeado por João Paulo II", disse.
Após a cerimônia, alguns meses depois, o papa João Paulo II faleceu e houve a eleição para o novo Papa, sendo eleito o cardeal Joseph Ratzinger que adotou o nome Bento XVI.
"A eleição de Joseph Ratzinger foi a mais rápida, até porque não existia alguém mais capacitado e a altura para substituir João Paulo II em seu pontificado. Eu não imaginava que ele pudesse ser eleito, principalmente por ter mais de 78 anos. Pensava que iriam escolher alguém mais jovem e com as características de João Paulo II", afirmou d. Milton dos Santos.
O arcebispo disse que a realização do Concilio Vaticano II teve a participação dos dois papas: João Paulo II e Bento VI. O Concilio iniciou no dia 11 de outubro de 1962, pelo papa João XXIII e foi finalizado pelo papa Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965.
"Alguns teólogos foram chamados para serem peritos na realização do Concilio Vaticano II e Joseph Ratzinger era um padre jovem de destaque que foi chamado para ser um dos peritos. Ele acompanhou todo o processo. A construção da elaboração da constituição dogmática da fé da igreja católica, o cardeal Ratzinger teve um papel central porque nessa área da teologia ele é doutor. Nesse período, o papa João Paulo II era arcebispo e também participou das discussões¿, ressalta d. Milton.
Ao ser nomeado papa, Karol Józef Wojtyla chamou Joseph Ratzinger que já era bispo para ser cardeal e o nomeou como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, no qual ficou no cargo por 23 anos. D. Milton ressalta as qualidades de Bento XVI para o conhecimento teológico, como por exemplo, ter sido eleito Papa e em tão pouco tempo ter escrito a Encíclica (documento mais importante que um Papa pode escrever) Deus é Amor no Natal de 2005.
Bento XVI não tem o carisma de João Paulo II, mas possui a sensibilidade de um músico. Para o arcebispo metropolitano de Cuiabá, os cardeais elegeram Ratzinger pelo seu conhecimento com a teologia. ¿Bento XVI é uma pessoa mais reservada e não é tão carismático como João Paulo II, mas possui profunda espiritualidade e conhecimento da fé. Ratzinger adora musica, é um pianista e acredito que os monges deixarão um piano para ele se distrair".
D. Milton disse que em um encontro com o papa João Paulo II, chamado Ad Límina (visita obrigatória ao Papa para mostrar unidade), e os bispos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no Vaticano, em Roma, ele teve a oportunidade de conversar individualmente com Karol Wojtyla de três a cinco minutos. Naquela visita, d. Milton Santos era Bispo Diocesano de Corumbá (MS).
"A visita é uma obrigatoriedade do Vaticano, onde os bispos recebem um formulário com questionamentos das atividades de cada setor e a realidade diocesana do local. Nós almoçamos com João Paulo II, e cada um conversou individualmente de três a cinco minutos. Depois disso, participamos de uma reunião com Ratzinger onde ficamos por uma hora conversando, pois ele era o guardião da Doutrina na Fé. A fé é a realidade mais delicada de qualquer religião. É igual a um casal de namorados ou casados, quando um perde a confiança no outro acaba o relacionamento".
Outra visita que ele relembra feita ao papa João Paulo II, foi quando lançou seu livro Perdão sem Limites, que fala sobre o atentado que Karol Wojtyla sofreu na praça de São Pedro, em 13 de maio de 1981, quando o turco Ali Agca efetuou dois tiros contra o religioso.
D. Milton Santos relembra que ao fazer o seminário houve momentos que pensou em desistir de ser padre. "Quando era seminarista fui servir numa aldeia Xavante em Mato Grosso, onde cuidava dos adolescentes. O choque entre as culturas me fez pensar em sair, mas se tivesse saído teria dado um passo errado. No momento que estava lá pensava quem era mais civilizado? nós (brancos) ou os Xavantes". Depois de 25 anos como padre fui nomeado bispo de Corumbá (MS)", afirmou.
Em sua casa eles são em nove irmãos, três mulheres e seis homens, sendo que oito são casados. Ele comenta sorrindo que quando visita os irmãos ouve eles falaram que é o mais livre deles.
Sobre seu nascimento, o arcebispo de Cuiabá disse que quando sua mãe estava grávida foi tê-lo sozinha em casa e deixou seus irmãos fechados no paiol. "Ela disse que deixou meus irmãos no paiol, correu para dentro de casa e que sozinha me segurou. O meu pai ouviu o barulho dos meus irmãos que estavam presos no paiol, foi ver o que era. Ao entrar dentro de casa encontrou minha mãe e eu preso à ela pelo cordão umbilical. Depois de cinco dias, ela me pegou no colo e teve a impressão de ter visto um padre de batina preta".
Segundo d. Milton, a família ficou muito preocupada, tanto que até procurou um benzedor. Após ter se tornado religioso que ele ficou sabendo do fato.
Ao relembrar a infância, d. Milton afirmou que eles andavam uma hora a cavalo para participar da missa e que os pais eram lideres da comunidade católica em Campos do Jordão (SP). "Eu era coroinha em Pindamonhangaba (SP) e ia diariamente à igreja. O desejo de servir foi surgindo naturalmente e devagar".
Redação Terra