Papa reitera caráter religioso de sua viagem ao Brasil


09.05.2007 - O Papa Bento XVI anunciou que sua viagem à América Latina terá caráter fundamentalmente religioso, embora tenha criticado a Teologia da Libertação e se referido à legalização do aborto na Cidade do México, em declarações concedidas à imprensa a bordo do avião que o leva ao Brasil. "O primeiro propósito (da viagem) é a V Conferência Geral dos Bispos da América Latina: a viagem possui um conteúdo essencialemente religioso", disse o pontífice alemão.

Bento XVI falou da Teologia da Libertação como um "fácil milenarismo, criado para melhorar as condições de vida com a revolução", referindo-se à crença segundo a qual Cristo reapareceria na Terra para reinar por um período de 1000 anos.

"Essas idéias eram errôneas, mas disso todos já sabem", disse o Papa alemão.

"Na Congregação (da Doutrina da Fé) fizemos uma seleção para nos libertarmos dos falsos milenarismos e da politização", acrescentou o pontífice.

O Papa Bento XVI mencionou a beatificação do arcebispo de San Salvador Oscar Arnulfo Romero, cujo trabalho foi visto durante muito tempo com um olhar crítico pelo Vaticano, que criticava sua proximidade com a Teologia da Libertação.

"Uma parte política queria se apropriar deste personagem (...) que merece ser beatificado", disse o Papa a respeito do monsenhor Romero, assassinado há 27 anos pelos esquadrões da morte salvadorenhos, após a celebração de uma jornada pelos missionários mártires.

Nas declarações,Bento XVI abordou seus temas favoritos sobre a América Latina, como a proliferação das seitas protestantes e o aborto, recentemente legalizado na Cidade do México.

O pontífice se referiu particularmente à ameaça da Conferência Episcopal Mexicana (CEM) de excomungar os membros da Assembléia Legislativa e o prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, por terem atuado a favor da medida.

"A excomunhão é uma regra, que não é arbitrária, e que está prevista no código do Direito Canônico", disse o Papa.

"Está escrito no Direito que a morte de uma criança é incompatível com a comunhão. Os bispos não foram arbitrários, apenas mencionaram o Direito da Igreja", disse o pontífice.

Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, afirmou em seguida que os bispos mexicanos não excomungaram o prefeito e os legisladores e que o Papa não excomungou-os por conta própria, já que esses políticos se "auto-excluíram da comunhão".

O Papa Bento XVI partiu nesta quarta-feira de Roma para o Brasil, onde realizará uma visita de quatro dias, a primeira de seu pontificado à América Latina.

Fonte: Terra notícias

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