Bispo Bernard Fellay: Deus não muda. A fé não muda. Os mandamentos não mudam. Seja fiel ao que a Igreja sempre ensinou em seus catecismos e você terá a certeza de estar no lado certo dessa luta por Deus e Sua Glória


13.02.2018 -

Trecho da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay à MaikeHickson (MH) de OnePeterFive, sobre o centenário de Fátima e a crise da Igreja.

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Nota: as perguntas foram enviadas ao Bispo Fellay em finais de 2017, mas em razão de vários contratempos a entrevista foi concluída somente no presente mês.

MH: Cada vez mais muitos observadores parecem ver paralelos entre os princípios em que a Fraternidade São Pio X (FSSPX) baseou sua própria resistência contra certas novidades anteriormente vindas de Roma, e entre os princípios agora aplicados por aqueles críticos do documento exortatório do Papa Francisco, Amoris Laetitia. O próprio Professor Seifert repetidamente fez referência explícita em analogia ao seu próprio caso. O senhor poderia nos explicar esses princípios fundamentais na medida em que os vê em alguma correspondência mútua e reforçada?

Temos almas para salvar. A Igreja não é nova. Se seguimos o que a Igreja sempre fez, e o que os santos sempre fizeram, temos a certeza de estar no caminho seguro para o Céu. Em todos os tempos, a Igreja considerou perigosas as novidades e o fruto do orgulho. Podemos, hoje, dizer que há uma doença de novidade e mudança. Mas Deus não muda. A fé não muda. Os mandamentos não mudam. Seja fiel ao que a Igreja sempre ensinou em seus catecismos e você terá a certeza de estar no lado certo dessa luta por Deus e Sua Glória.

MH: A FSPX desde cedo se opôs a certos aspectos do ecumenismo e da liberdade religiosa. Como o senhor relataria essa resistência anterior ao debate atual sobre a indissolubilidade do matrimônio à luz do fato de que essas outras religiões muitas vezes não acreditam neste dogma?

Uma vez que muitas religiões rejeitam a indissolubilidade do casamento, podemos pensar que as medidas tomadas por Roma se inspirariam no ecumenismo, mas não tenho certeza de que exista necessariamente uma ligação. Penso que o problema é uma relativização geral da verdade e, consequentemente, uma aplicação frouxa da lei e compreensão dos mandamentos de Deus. Ou, seguindo os princípios do personalismo, tal insistência na pessoa humana, no sentido de que a ordem de Deus não está em primeiro lugar. (Em outras palavras, o homem se torna Deus.) Você encontra isso no nível da religião e mesmo da legislação hoje. João Paulo II descreveu isso como antropocentrismo. Agora vemos isso aplicado ao matrimônio. Todos querem uma vida fácil…

MH: À luz da apostasia aparentemente crescente da Fé Católica dentro da Igreja Católica, o senhor poderia nos dizer como vê sua própria missão e a missão e o papel específico da FSSPX?

Poderíamos dizer que a Fraternidade São Pio X, pela Divina Providência, não por nossos próprios méritos, representa o passado da Igreja, o que chamamos Tradição. Isso não pode ser apagado da Igreja Católica ou da vida católica. Então, nossa missão é lembrar disso. Não somos simplesmente um monumento ao passado; somos um testemunho vivo da Tradição na Igreja, que está acima de todas as mudanças e modas do mundo moderno. A Fé continua a ser a nossa missão, especificamente revivendo o espírito cristão, especialmente para os sacerdotes da Igreja Católica. Nosso papel específico é ajudar a restaurar o sacerdócio, em toda a sua pureza, à Igreja. Cada aspecto da vida cristã e até mesmo da Igreja segue por consequência desse princípio. Se você quer ajudar a restaurar a Igreja, é preciso começar com o sacerdócio.

MH: O senhor tem algum conhecimento sobre os rumores de que em breve o Papa Francisco tambémirá alterar ou minar o Motu Proprio Summorum Pontificum?

Não, não tenho conhecimento disso.

MH: O senhor tem alguma expectativa quanto à relação oficial da FSSPX com Roma, especialmente à luz do fato de que o senhor pessoalmente tenha assinado a Correção Filial sobre Amoris Laetitia? As negociações com Roma foram agora efetivamente paralisadas ou adiadas?

Não creio que haja qualquer correlação específica entre a minha assinatura da Correção Filial e o nosso status com Roma. De certa forma, estamos paralisados por enquanto, mas as coisas permanecem abertas a novas discussões.

MH: Há algumas palavras finais que nos ajudariam a crescer em amor leal por Nosso Senhor e Nossa Senhora à luz da mensagem misericordiosa e da advertência de Fátima?

Se a Santíssima Virgem Maria fez o esforço para falar com o mundo, deve ser importante. Então, ouçamo-la, bem como às suas palavras. Cresçamos em grande devoção ao Imaculado Coração de Maria. Ela manterá e protegerá nossa fé, esperança e caridade e nos guiará, como prometeu, ao Céu.

Visto em: catolicosribeiraopreto.com

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Nota de www.rainhamaria.com.br

Sempre lembrando...

Declarou o Arcebispo francês Marcel Lefebvre:

"Não será dever de um católico julgar entre a fé que lhe ensinam hoje e a que foi ensinada durante vinte séculos de tradição da Igreja? Ora, eu acredito sinceramente que estamos tratando com uma falsificação da Igreja, e não com a Igreja católica. Por quê? Porque eles não ensinam mais a fé católica. Não defendem mais a fé católica. Eles arrastam a Igreja para algo diferente da Igreja Católica. A verdade e o erro não estão em pé de igualdade. Isso seria colocar Deus e o diabo em pé de igualdade, visto que o diabo é o pai da mentira, o pai do erro. Como poderíamos nós, por obediência servil e cega, fazer o jogo desses cismáticos que nos pedem colaboração para seus empreendimentos de destruição da Igreja? Se acontecesse do papa não fosse mais o servo da verdade, ele não seria mais papa. Não poderíamos seguir alguém que nos arrastasse ao erro. Isto é evidente. Não sou eu quem julga o Santo Padre, é a Tradição. Para que o Papa represente a Igreja e seja dela a imagem, é preciso que esteja unido a ela tanto no espaço como no tempo já que a Igreja é uma Tradição viva na sua essência. Na medida em que o Papa se afastar dessa Tradição estará se tornando cismático, terá rompido com a Igreja. Eis porque estamos prontos e submissos para aceitar tudo o que for conforme à nossa fé católica, tal como foi ensinada durante dois mil anos mas recusamos tudo o que lhe é contrário.  E é por isso que não estamos no cisma, somos os continuadores da Igreja católica. São aqueles que fazem as novidades que estão no cisma.  Estou com vinte séculos de Igreja, e estou com todos os Santos do Céu!”

Declarou o Papa São Félix III: "Não se opor a um erro é aprová-lo. Não defender a verdade é suprimi-la".

 

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