Com ventos de até 240 km/h ciclone arrasa Bangladesh e mata mais de mil pessoas


16.11.2007 - O ciclone "Sidr" deixou hoje um rastro de destruição em sua passagem por Bangladesh, e dados já apontam para a existência de mais de mil mortos e 3,2 milhões de desabrigados.

O ciclone chegou a Bangladesh na noite da quinta-feira, e arrasou a costa com ventos de 240 km/h que causaram uma elevação de cinco metros no nível do mar e a destruição de milhares de casas, árvores e cabos elétricos.

Com muitas áreas ainda incomunicáveis, fontes oficiais afirmaram à agência de notícias bengali "UNB" que há pelo menos 1,1 mil mortos e mais de 300 desaparecidos.

A ONU informou hoje que as informações preliminares de Bangladesh indicam que o violento ciclone "Sidr" causou cerca de mil mortes e estragos "extremamente graves" ao passar pelo país asiático.

Em Nova York, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, disse hoje que a organização separou "milhões de dólares" de seu fundo de emergências para responder às conseqüências da tempestade.

O país se encontra praticamente às escuras. Os distritos mais atingidos, sobretudo na linha litorânea, continuam sem água potável, sistema de transportes e conexão telefônica, e por isso o número de vítimas poderá aumentar.

"Há áreas remotas e ilhas em frente à costa às quais as equipes de resgate ainda não puderam chegar", afirmou o secretário de Gestão de Desastres, Ayub Mian.

Muitos dos mortos são pessoas que se refugiaram em suas pequenas casas de bambu e folha-de-flandres, insuficientes para protegê-las dos fortes ventos.

As autoridades continuam preocupadas com o destino das dezenas de pequenas embarcações que não conseguiram retornar à costa.

Após assolar o sul do país, o ciclone se deslocou em direção ao centro de Bangladesh, onde está situada a capital, Daca, e - já transformado em tempestade tropical - se deslocou para as regiões indianas de Tripura e Assam.

O aeroporto de Daca e o principal porto do país, na cidade de Chittagong (sul), estão fechados devido aos ventos, o que dificulta a tarefa das organizações humanitárias e internacionais que trabalham no local.

Na quinta-feira, 3,2 milhões de pessoas tinham sido evacuadas em 15 distritos de Bangladesh, segundo a Cruz Vermelha, mas apenas 620 mil delas puderam ser alojadas em abrigos especiais, enquanto as demais simplesmente saíram de suas casas em direção a terras mais altas.

"Claro que o trabalho não é suficiente. Há centenas de mortos.

Temos recursos limitados. Dizem que este ciclone tem a mesma intensidade que o de 1991, mas desta vez estamos mais preparados", disse um porta-voz da organização no Sul da Ásia, Devinder Tak.

Tak se referia a um grande ciclone ainda lembrado pelos bengaleses, que matou 150 mil pessoas em 1991, após erguer uma onda de oito metros.

A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho têm várias equipes atuando no local para reduzir os efeitos do ciclone sobre a população, uma ajuda que acompanhará as 98 toneladas de comida destinadas às vítimas por parte do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.

Bangladesh é um país costumeiramente atingido por ciclones e, segundo os cálculos dos meteorologistas, nos últimos 125 anos o litoral do país foi atingido por 80 grandes tempestades que mataram dois milhões de pessoas e desabrigaram dezenas de milhões.

Cerca de 60 milhões dos 140 milhões de habitantes do país vivem a menos de dez metros acima do nível do mar, por isso uma cheia como a desta madrugada tem conseqüências catastróficas.

"Este foi um dos piores pesadelos deste tipo que vivi", disse um idoso da cidade de Patuakhali, inundada assim como as localidades de Bagerhat, Barisal e Barguna, esta última conhecida popularmente como "filha do mar".

Fonte: Redação Terra

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Lembrando...

Pesquisa: aquecimento global dobra freqüencia de furacões.

29.07.2007 - O número de furacões que nascem no Atlântico duplicou em comparação com o século passado, devido ao aumento da temperatura marítima e à mudança climática, segundo pesquisa realizada por cientistas americanos. O estudo, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR, em inglês) e no Instituto Tecnológico da Geórgia, também considerou a mudança nos padrões do vento das últimas décadas.

Como exemplo, os cientistas afirmam que o ano de 2006 - menos ativo que os dois anteriores pela presença do fenômeno El Niño no Pacífico - há um século teria sido considerado uma temporada de tempestades muito acima da média. A análise se baseia nos furacões e nas tempestades tropicais que nascem nos litorais ocidentais da África durante o segundo semestre.

Os ciclones adquirem força e massa à medida que avançam em direção ao oeste e geralmente entram no Golfo do México ou causam impacto sobre as costas da América Central e dos Estados Unidos. O documento identifica três períodos desde 1900, durante os quais a média de furacões e tempestades tropicais aumentou de maneira considerável.

O primeiro período, entre 1900 e 1930, registrou uma média de seis tempestades tropicais, das quais quatro foram furacões. Entre 1930 e 1940, a média anual foi de dez ciclones, incluindo cinco tempestades tropicais e cinco furacões. Já entre 1995 a 2005, a média chegou a 15: oito furacões e sete tempestades tropicais.

"Os números são um indício concreto de que a mudança climática é um fator influente no número de furacões do Atlântico", disse Greg Holland, cientista do NCAR e um dos autores do estudo, publicado pelo portal Philosophical Transactions of the Royal Society of London.

Fonte: Terra notícias





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