Satélites da Nasa confirmam degelo na calota polar ártica


19.03.2008 - A espessura de trechos de gelo ártico mais antigos continuou diminuindo em decorrência do aumento das temperaturas globais, revelaram as últimas fotografias por satélite divulgadas pela Nasa, a agência espacial americana.

De acordo com dados fornecidos pela agência, há alguns anos o gelo perene cobria entre 50% e 60% do Ártico. Neste ano, cobre menos de 30%.

"A diminuição do gelo perene reflete a tendência de aquecimento climático a longo prazo e é resultado de um maior degelo no verão (hemisfério norte) e de um maior afastamento do gelo mais antigo" da zona polar, disse a Nasa em comunicado.

Segundo dados fornecidos pelo satélite ICESat da Nasa, "o Ártico perdeu ao redor de 2,5 milhões de quilômetros quadrados de gelo perene devido ao derretimento, a metade entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008", disse em entrevista coletiva por telefone Walt Meier, do Centro Nacional de Dados sobre o Gelo e a Neve.

"A maior espessura é um indicador da saúde durante um longo lapso do gelo, e neste momento (sua redução) não é um bom indício", acrescentou.

Por outro lado, essas mesmas imagens da Nasa indicam que o último inverno no hemisfério norte, que foi mais frio que o habitual na zona, produziu um aumento do gelo marinho.

Esse gelo novo impede que o Ártico seja um mar aberto durante o inverno, mas é frágil e muito mais suscetível ao vento e ao aumento das temperaturas que se mantém inalterável durante muitos anos, segundo os cientistas.

Meier assinalou que, atualmente, a região mais parece um cenário de filme no qual se vê um Ártico coberto de gelo jovem.

"Está muito bonito, mas além não há nada. Está o vazio. O que se vê é um revestimento de gelo, e nada mais", indicou.

Em uma aparente tentativa de reduzir o alarme, os cientistas indicaram que na Groenlândia e na Antártida o nível do mar não aumenta.

No entanto, poderia contribuir ao aquecimento global, porque a água, diferente do gelo, absorve a radiação solar.

Segundo os cientistas, a diferença ocorre porque o Ártico é um oceano cercado de terra, enquanto que a Antártida é um continente cercado por um oceano.

Fonte: Terra notícias

--------------------------------------------------------------

Lembrando...

Ártico pode perder geleiras dentro de sete anos

10.03.2008 - O oceano Ártico poderia ficar sem gelo entre o verão de 2015 e o de 2020 (hemisfério norte), por causa, entre outros motivos, da aceleração da mudança climática, e isso significa reduzir em cerca de 80 anos as previsões iniciais da comunidade científica, segundo o oceanógrafo espanhol Carlos Duarte.
"Em apenas três anos, os pesquisadores começaram a prever esta redução do gelo do Ártico de 2100 para 2040, e agora já se fala em 2020 e 2015", afirmou Duarte em entrevista coletiva. Ele advertiu da aceleração progressiva da perda de gelo no Ártico, após ter dirigido em 2007 uma expedição científica à região.

Antes de 2005, explicou, "parecia que o degelo era um processo paulatino, pelo que se calculava o desaparecimento da cobertura de gelo no verão de 2100", mas em 2005, acrescentou, "aconteceu uma perda muito grande", o que acelerou esta previsão para 2040. No entanto, no verão do ano passado aconteceu "o degelo mais abrupto" do Ártico, já que, segundo seus cálculos, "se fundiram 20 km de extensão de gelo ao dia".

Questionado sobre as causas deste fenômeno, Duarte disse que a comunidade científica não pôde ainda determiná-las, mas, segundo ele, há várias hipóteses. Uma delas refere-se ao aumento da temperatura na atmosfera, que em 2007 registrou "a maior magnitude térmica", ao se situar em 20°C, o dobro do registro médio dos últimos anos.

Além disso, indicou como possível causa a alteração da temperatura na circulação oceânica no Ártico, "pois é um oceano muito vulnerável à mudança climática", e o aumento do fluxo de água quente entre os oceanos Atlântico e Ártico.

No entanto, afirmou que apesar de este processo "não ter grandes efeitos no nível do mar", afeta sua biodiversidade, sobretudo das espécies de animais em risco de extinção, como o urso polar e as morsas, assim como o plâncton. Duarte destacou que o gelo do Ártico tem uma alta quantidade de poluentes, pelo que quando se desfaz passa a fazer parte da cadeia alimentar e repercute tanto em pessoas como animais; os esquimós têm, assim, um nível de poluentes no sangue muito superior ao de qualquer outra sociedade.

O oceanógrafo destacou que sob o gelo do Ártico se localiza, aproximadamente, "25% das reservas mundiais de recursos petrolíferos e gasosos ainda a descobrir".

Fonte: Terra notícias


Rainha Maria - Todos os direitos reservados

PluGzOne