Lembrando Santo Afonso de Ligório: Deus pôs diante de nós dois caminhos a seguir, o do céu e o do inferno. Cada qual se dirigirá à morada que escolheu em vida


05.04.2017 - Nota de www.rainhamaria.com.br

Artigo Publicado no Site em 14.07.2015

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Ante hominem vita et mors, bonum et malum; quod placuerit ei dabitur illi — «Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; o que lhe agradar, isso lhe será dado» (Ecle. 15, 18).

Sumário. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não à força. Por isso Deus põe diante de nós dois caminhos a seguir, deixando a escolha a cada um. Mas, como poderá chegar ao céu quem quiser seguir o caminho do inferno? Avivemos a nossa fé; examinemos atentamente aonde nos leva o caminho trilhado até hoje, e tomemos desde já as providências para nos assegurar a salvação eterna. Deixemos, se for necessário, o mundo: São pequenas todas as cautelas, quando corre risco a eternidade.

I. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não quer que nos salvemos à força. Deus, diz o Eclesiástico, pôs diante de cada um a vida e a morte; ser-nos-á dado o que escolhermos: Quod placuerit ei dabitur illi. Jeremias diz igualmente que o Senhor pôs diante de nós dois caminhos a seguir, o do céu e o do inferno: Ego do coram vobis viam vitae et viam mortis[1]. — Por isso está escrito: O homem irá para a casa de sua eternidade. Deus diz: ibit, ele irá, para significar que cada qual se dirigirá à morada que escolher; não será levado, mas irá por sua própria vontade. Mas como poderá chegar ao paraíso, o que quer seguir o caminho do inferno?

Coisa estranha! todos os pecadores se querem salvar, e entretanto se condenam por si próprios ao inferno, dizendo sempre: Espero salvar-me. Quem seria tão louco, diz Santo Agostinho, que quisesse tomar veneno na esperança de se curar? Nemo vult aegrotare sub spe salutis. No entanto, quantos cristãos, quantos insensatos se dão à morte pelo pecado, dizendo: Mais tarde pensarei no remédio. Ó funesta ilusão, que tantas almas tem arrastado ao inferno!… Não sejamos tão insensatos; e lembremo-nos de que se trata da eternidade.

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Quanto trabalho se não dão os homens para se construírem uma casa cômoda, bem arejada, num sítio salubre, pela lembrança que nela hão de passar toda a vida! Porque, pois, são tão descuidados, quando se trata da casa que lhes será morada eterna? Negotium pro quo contendimus, aeternitas est — «O negócio pelo qual trabalhamos», diz Santo Eucherio, «é a eternidade». Não se trata de uma casa mais ou menos cômoda, mais ou menos arejada: trata-se de habitar, ou num lugar cheio de delícias entre os amigos de Deus, ou no abismo de todos os tormentos entre a chusma infame de tantos celerados, hereges e idólatras. — E isto por quanto tempo? Não por vinte ou quarenta anos, mas por toda a eternidade. É um negócio de alta monta! Não é negócio de somenos; é tudo para nós.

II. Dizia a Venerável Madre Joana da Santíssima Trindade, religiosa carmelita, que na vida dos santos não existe o amanhã. Este só existe na vida dos pecadores, que sempre dizem: mais tarde, mais tarde, e assim se aproximam da morte. Meu irmão, se Deus nos convida hoje para praticar o bem, pratiquemo-lo hoje. Pode ser que amanhã não haja mais tempo, ou que Deus não nos faça mais ouvir o convite.

Ó céus! exclama Santa Teresa, é a falta de fé a causa de tantos pecados e da condenação de tantos cristãos.

Portanto, reanimemos, sempre a nossa fé, dizendo: Credo vitam aeternam: Creio que depois desta vida há outra que não acaba nunca. Tendo este pensamento sempre presente, tomemos as providências para nos assegurar a salvação eterna. Freqüentemos os sacramentos; façamos meditação todos os dias, e pensemos na eternidade; evitemos também as ocasiões perigosas. Deixemos, se for necessário, o mundo, porque nenhuma cautela será excessiva quando se trata de pôr à salvo o grande negócio da salvação eterna: Nulla nimia securitas, ubi periclitatur aeternitas[2].

É pois verdade, meu Deus, que aqui não há meio termo: ou sempre feliz ou sempre desgraçado; ou num mar de alegrias, ou num oceano de tormentos; ou sempre convosco no paraíso, ou sempre separado e longe de Vós, no inferno. E este inferno, sei com certeza que inúmeras vezes o mereci; mas estou igualmente certo de que perdoais ao que se arrepende, e livrais do inferno o que espera em Vós. Eia, pois, Senhor, perdoai-me, já que me pesa sobre todas as coisas de Vos ter ofendido: livrai-me do inferno, porque Vos amo e confio em vossa infinita misericórdia. — Minha Rainha e minha Mãe, Maria, ajudai-me com as vossas orações; obtende-me antes mil mortes do que a desgraça de me separar do amor de vosso Filho. (*II 65.)

[1] Jer. 21, 8.
[2] São Bernardo.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso

Fonte: Dominus Est

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Nota de www.rainhamaria.com.br

"Hás de morrer na hora menos pensada. Quer penses, quer não penses nisso, quer acredites, quer não acredites, morrerás e serás julgado, e te salvarás ou condenarás, conforme o bem ou o mal que houveres praticado; disso não escaparás por mais que digas ou faças. E que te aproveitará ganhar todas as riquezas e alcançar todas as honras, e dar ao corpo todos os prazeres, se vier a perder a tua alma?" (Santo Antônio Maria Claret)

Diz na Sagrada Escritura:

"Eu ouvi uma voz do céu, que dizia, Escreve: Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem". (Ap 14,13)

 

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