Por que Francisco não responde as Dubia? A correção fraterna não é um ato hostil nem uma falta de respeito ou desobediência. Não é mais do que uma exposição da verdade: caritas in veritate, caridade na verdade


07.05.2017 -

FSSPX.News – Tradução: Sensus Fidei – Claudio Pierantoni, do Chile, questiona o motivo do silêncio do Papa desde que recebeu as dúbia em 19 de setembro de 2016.

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Durante a conferência internacional celebrada em Roma em 22 de abril de 2017 sobre o tema “Proporcionando Clareza” referente as dúbia apresentadas ao Papa Francisco em relação a Amoris Laetia, (cf. Conferência Internacional em Roma sobre as Dubia) [e também Dubia sobre Amoris Lætitia: ‘Devemos ir mais longe’] um dos conferencistas, Claudio Pierantoni, do Chile, perguntou, ao término de sua exposição, a razão do silêncio do Papa.

O que é evidente na situação atual, é precisamente a distorção doutrinal básica que, ainda quando habilmente evita qualquer fórmula diretamente heterodoxa, manipula as coisas sistematicamente para atacar não somente alguns dogmas em particular, como a indissolubilidade do matrimônio e a objetividade da lei moral, mas também a própria ideia da doutrina segura e, com isso, a pessoa de Cristo como Logos (Palavra de Deus). E o Papa é a primeira vítima desta distorção doutrinal, embora – e isto é uma hipótese minha – nem sequer se dê conta, e é a vítima de uma separação que afeta grandes setores do ensinamento teológico.

Neste contexto, as dúbia, ou seja, as cinco perguntas apresentadas pelos quatro cardeais, levam o Papa a um ponto morto. Se ele responde negando a Tradição e o Magistério de seus predecessores, seria considerado formalmente herege, e por isso, não pode fazer isso. Se, ao contrário, responde em concordância com o Magistério anterior, estaria contradizendo uma parte importante das principais ações doutrinais que realizou durante o seu pontificado, e portanto, é uma decisão muito difícil. Essa é a razão pela qual preferiu permanecer em silêncio, porque, humanamente falando, a situação poderia parecer um caso perdido. Mas, enquanto tal, a confusão e o cisma de fato continuam a se propagar na Igreja.

Diante do exposto, agora mais do que nunca é necessário um ato adicional de coragem, um ato de verdade e caridade por parte dos cardeais, mas também dos bispos e de todos os leigos competentes que queiram nele tomar parte. Em uma situação de tão grave perigo para a fé e de escândalo geral, a correção fraterna e sincera dirigida a Pedro, não somente é lícita mas acima de tudo converte-se em um dever, pelo seu bem e de toda a Igreja.

A correção fraterna não é um ato hostil nem uma falta de respeito ou desobediência. Não é mais do que uma exposição da verdade: caritas in veritate, caridade na verdade. O Papa é nosso irmão, antes de ser Papa.

Continuam as especulações sobre o silêncio do Papa

Em 9 de janeiro de 2017, o filósofo francês Thibaud Collin, que também participou na conferência em Roma, dirigiu a mesma pergunta referindo-se ao  silêncio do Papa em um artigo do periódico L’Homme Nouveau no início deste ano.

Que significa este silêncio? Podemos interpretá-lo de dois modos. Em primeiro, falando humanamente, é que o Papa se nega a responder porque considera que o texto da Exortação está perfeitamente claro. Encarregou o Cardeal Schönborn de explicar o que o Cardeal Kasper denomina um “novo paradigma”, ou de acompanhamento das pessoas. Todavia, ainda tem que se explicar como é que este novo paradigma está relacionado com o anterior. Os quatro cardeais solicitaram uma aclaração sobre este ponto, a mesma que lhes foi negada. No entanto, o Papa respondeu indiretamente ao declarar ao diário Avvenire (18 de novembro de 2016):

“Alguns continuam a não compreender: ou é branco ou é preto, mesmo que esteja no fluxo da vida o discernimento”.

E em uma carta privada (que foi oportunamente publicada) dirigida aos bispos de Buenos Aires, responde a seu texto dizendo:

“O documento é muito bom e explica perfeitamente o significado do Capítulo 8. Não existem outras interpretações”.

Finalmente, o Cardeal Farrel, Prefeito do novo dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, criticou publicamente seu compatriota americano, o arcebispo Chaput, por sua rigorosa interpretação da Exortação.

A segunda interpretação é sobrenatural: consiste em dizer que se o Papa não responde oficialmente senão através de opiniões ou de intermediários, é porque não pode se opor ao Magistério prévio e à Palavra de Deus de maneira direta. Não foi o próprio Jesus quem recordou aos fariseus (Mt 19:3-12), que estavam aprisionados em seu paradigma casuístico, o caráter normativo da verdade sobre o matrimônio, como Deus o instituiu “no princípio”?

Portanto, a doutrina da Igreja e a explicação da palavra de Deus não é abstrata nem está desconectada das pessoas, como tantos “pastores” insistem. A lei de Deus tampouco é um ideal que se converte em um fardo intolerável para os fiéis quando lhes pedimos que a obedeçam. É a fonte da vida nas circunstâncias concretas da vida de cada pessoa. Deus sempre dá a graça para viver o que Ele ordena. Finalmente, recordemos que o discernimento, tão apreciado por Santo Inácio de Loyola, só pode realizar-se em relação a atos humanos e nunca sobre atos intrinsecamente maus. Não existe um modo prudente de ser adúltero.

Fonte: L’Espresso, French translation by Diakonos /Homme Nouveau  via  Sensus Fidei

 

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