São João de Deus, se distinguiu na assistência aos pobres e aos doentes, um exemplo de como uma pessoa simples e sem instrução, quando tem verdadeiro amor a Deus, pode fazer grandes coisas no campo da caridade, e chegar a Santidade


08.03.2018 -

Este Santo é um exemplo de como uma pessoa simples e sem instrução, quando tem verdadeiro amor a Deus, pode fazer grandes coisas no campo da caridade, e chegar a uma grande Santidade.

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João Cidade nasceu em Montemayor o Novo, na província de Évora, em Portugal, de pais tão humildes, que sua história não registrou o nome. Quando tinha oito anos ouviu um espanhol gabar a grandeza e beleza das igrejas e palácios de sua terra natal, e curioso, desejou vê-las com os próprios olhos. Quando o estrangeiro voltava à pátria, ele o foi seguindo até chegar na cidade de Oropesa, em Castela. Só então deu-se conta de sua loucura, e de que estava só no mundo. E não sabia o caminho de volta. Desolado, rezou então a Nossa Senhora pedindo proteção.

Passou então pela estrada um lavrador bem instalado na vida, que o aceitou como pastor. O curioso é que Nossa Senhora não ajudou o menino a voltar para sua pátria e seu lar, mas a encontrar algo que fazer na terra do exílio. É que João Cidade não deveria ter nesta terra nenhum vínculo que o prendesse, nem mesmo o da família, pois fora chamado a ter os pobres e destituídos como seus irmãos.

João cresceu e tornou-se um robusto rapaz. Mas sempre no humilde ofício de pastor. Aos vinte e dois anos, obedecendo à voz da graça que lhe dizia que tinha nascido para algo grande, resolveu tentar fortuna como soldado. A vida licenciosa dos acampamentos acabou tendo má influência sobre o ingênuo pastor. Aos poucos foi deixando as devoções, debilitou-se sua vontade, e ele sucumbiu às tentações.

Quatro anos depois, no desejo de defender a fé contra o Islã, João Cidade alistou-se entre os que iam com o imperador Carlos V combater o turco Solimão, que ameaçava invadir Viena. No dia 19 de setembro de 1525 o mouro sitiou a capital austríaca. Mas foi tal o ardor com que os católicos defenderam a cidade, que Solimão, após ter feito matar dois mil prisioneiros em represália, abandonou a empresa.

Na volta João Cidade foi visitar o sepulcro de São Tiago, em Compostela. Encaminhou-se depois para seu país, foi à sua cidade natal em procura dos pais. Mas ninguém sabia deles. Acabou encontrando um velho tio, que informou-lhe que sua mãe falecera logo depois de seu desaparecimento, e o pai terminara seus dias num convento franciscano.

Aflito, João Cidade voltou para a Espanha. Depois de curta permanência num hospital, dedicou-se novamente ao pastoreio. Mas a voz interior não o deixava ficar naquela vida pacífica de pastor. Determinou-se então a ir para a África, para lutar contra os mouros pela fé.

Indo para Granada, certo dia, ouvindo o sermão que São João de Ávila pregava numa igreja da cidade sobre São Sebastião, ficou tão tocado, que prorrompeu em soluços gritando: “Misericórdia! Misericórdia!” E batia no peito, arrancava os cabelos e a barba, de tal maneira que algumas pessoas, julgando-o louco, o levaram para o manicômio da cidade. São João de Ávila foi em seu socorro. E, com intuição profética, convenceu-o a dedicar-se ao serviço do próximo. João Cidade encontrará finalmente aí sua vocação.

No mês de novembro de 1537, alugou uma casa em Granada, com esmolas comprou leitos, e saiu à rua em busca de pobres e doentes. Os que não podiam andar, trazia-os nos ombros. Nascia assim o pequeno hospital que seria o berço da Ordem dos Irmãos Hospitalares de São João de Deus

Entretanto, se cuidava dos corpos, era para fazer bem às almas. “Há quanto tempo não te confessas?” perguntava aos seus pobres. E mostrava-lhes que muitas vezes os males do corpo são decorrência dos males da alma. Lavava os enfermos, curava suas feridas, consolava-os, alimentava-os. E diariamente, depois do entardecer, saia com um cesto de vime às costas e dois caldeirões pendurados nos ombros para pedir esmolas para seus doentes. “Irmãos, fazei bem a vós mesmos” gritava pelas ruas mostrando que, quem dá ao pobre, empresta a Deus.

"Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, Ele lhe pagará o seu benefício" (Provérbios 19, 17).

Certo dia em que São João de Deus rezava na igreja Nossa Senhora do Sacrário diante de um crucifixo que tinha a seu lado Nossa Senhora das Dores e São João Evangelista, estes desceram do altar e puseram na cabeça do Santo uma coroa de espinhos. Disse-lhe a Virgem: “João, pelos espinhos quer meu Filho que alcances grandes merecimentos”.

São João de Deus chegou aos 56 anos de idade gasto pelas penitências e pelos trabalhos. Teve que guardar o pobre leito no hospital. Mas ouvindo dizer que o rio que passa por Granada trazia em seu leito muita madeira, levantou-se para recolhê-la para seus pobres. Estava nessa faina quando viu um dos ajudantes do hospital ser levado pelas águas. Mergulhou para tentar salvar o pobre, mas em vão, pois não o conseguiu pegar.

Com alta febre foi levado para o hospital. Dona Ana Osório, grande dama local, vendo-o tão falto de assistência e de conforto, obteve do arcebispo uma ordem para que ele fosse levado para sua casa onde, apesar do esmerado tratamento que recebeu, faleceu no dia 8 de março de 1550.

Visto em: ipco.org.br

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Nota de www.rainhamaria.com.br

Diz na Sagrada Escritura:

"Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade" (I Corintios 13, 2 e 13).

"Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade" (I São João 3, 17-18).

"O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração" (Samuel 16, 7).

"Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes". (São Mateus 25, 34 -40)

 

Veja também...

São Carlos Borromeu, procurava os pobres doentes dos quais ninguém lembrava, não se contentou em rezar e atender pessoalmente os moribundos, mas também esgotou seus recursos para ajudar os necessitados

São Martinho de Lima: Impelido com extraordinária força, pelo amor de Deus, a caridade de Martinho com os outros não tinha limites. Ele era a própria imagem da caridade para com os pobres e doentes

Santa Isabel da Hungria: Tornou-se uma Rainha, amável nas palavras e atitudes, que vivia em orações e era generosa em caridade com pobres e doentes

Beato Píer Giorgio Frassati: Jesus vem a mim a cada manhã na Santa Comunhão e eu o retribuo de uma maneira pequena visitando os pobres. Visitar os pobres, é visitar a Jesus!

De bêbado e viciado a Santo padroeiro dos doentes e dos hospitais. São Camilo de Léllis fundou uma associação de pessoas dispostas a se consagrarem por caridade ao serviço dos doentes

Os Eleitos de Deus, colocados entre os Anjos e Santos, com eles se rejubilam na proporção do bem praticado na terra. Na terra, ajudavam-se uns aos outros; tal amor continua na eternidade

 


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