A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo é a Paixão da Sua Igreja


03.03.2017 -

n/d

Por Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Caritate Christi", promulgada em 3 de Maio de 1932:

«Mas, ante este ódio satânico contra a Religião, que faz lembrar o Mistério da Iniquidade, de que nos fala São Paulo, não bastam por si só os meios humanos e as providências dos homens, e nós julgaríamos faltar ao nosso múnus apostólico, se não quiséssemos mostrar à Humanidade os maravilhosos Mistérios da Luz, os únicos que em si encerram a força de subjugar o desenfreado poder das trevas. Quando o Senhor, descendo dos esplendores do Tabor, curou o jovem atormentado pelo demónio, que os discípulos não tinham podido curar, à humilde pergunta destes: “Porque que é que o não pudemos curar nós?” Respondeu com aquelas memoráveis palavras: “Esta espécie não se expulsa senão com a oração e o jejum”. Parece-nos, Veneráveis irmãos, que estas Divinas Palavras se devem precisamente aplicar aos males dos nossos tempos, que só com a oração e a penitência podem ser debelados. (…)

Que espectáculo não é, para o Céu e para a Terra, a Igreja que ora? De há séculos, ininterruptamente, repete-se na Terra, de dia e de noite, a Divina Salmodia dos cantos inspirados; não há hora do dia que não seja santificada pela sua Liturgia especial. Não há período algum, longo ou curto, da vida, que não tenha um lugar na acção de Graças, no louvor, na impetração, e na reparação da prece comum do Corpo Místico de Cristo, que é a Santa Igreja. Desta forma, a oração assegura a presença de Deus entre os homens, como prometeu o Divino Redentor: “Onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, estou Eu no meio deles” (Mt 18,20). (…)

A Penitência é pois como uma arma salutar posta nas mãos dos aguerridos soldados de Cristo, desejosos de lutar pela defesa e pelo restabelecimento da Ordem Moral no Universo. É uma arma que atinge a própria raiz de todos os males, isto é, a cobiça das riquezas materiais e a concupiscência dos prazeres dissolutos da vida. Com sacrifícios voluntários, com renúncias práticas, embora dolorosas, por meio de várias obras de penitência, o cristão generoso refreia as baixas paixões, que tendem a arrastá-lo à violação da Ordem Moral. (…)

Até para os indivíduos, A PENITÊNCIA É FUNDAMENTO E FONTE DE VERDADEIRA PAZ, desprendendo-os dos bens terrenos e caducos, e ELEVANDO-OS AOS BENS ETERNOS, proporcionando-lhes até no meio das privações e adversidades da vida, UMA PAZ, QUE O MUNDO, COM AS SUAS RIQUEZAS E PRAZERES, NÃO PODE DAR. (…)

Nada mais nos resta, Veneráveis irmãos, do que convidar este pobre mundo, que derramou tanto sangue, que abriu tantos túmulos, que destruiu tantas obras, que privou de pão e trabalho a tantos homens, nada mais nos resta, repetimos, do que convidar com as meigas palavras da santa Liturgia: CONVERTE-TE AO SENHOR TEU DEUS.»

Coloca-se, por vezes, a questão da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo haver superado, em dor, o que era necessário, de Justiça, para a nossa salvação. Contudo, a Santa e superabundante Paixão do Senhor não é sòmente constitutiva da Ordem da Justiça e da Misericórdia, mas igualmente da ordem da Inefável Caridade com que Deus Nosso Senhor amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho unigénito. Além disso a Paixão de Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, devia ser Causa Eficiente Principal (enquanto Deus) e Instrumental eminentíssima (enquanto Homem), Causa Meritória (enquanto satisfação Redentora que aplaca a Deus), mas também Causa Exemplar e Final do martírio cruento e incruento dos Seus santos; consequentemente, os sofrimentos do Senhor foram de ordem física e de ordem moral, embora, lamentàvelmente, haja uma tendência para olvidar a Agonia do Senhor do Horto, provocada pela visão apavorante dos pecados, das ingratidões, e das apostasias, dos homens através dos séculos; mas uma agonia, oriunda também do abandono, da solidão, e das traições dos homens, que Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, dotado de uma sensibilidade perfeitíssima, sentiu mais e melhor do que todos os santos juntos.

Há quem suscite contradição entre a Visão Beatífica gozada pelo Verbo Encarnado, e as dores da Paixão. A União Hipostática foi concebida pela Santíssima Trindade de modo a que Nosso Senhor fosse simultaneamente Compreensor e Viador, ou seja: Por um lado Nosso Senhor, enquanto Homem, contemplava, na Eternidade, a Essência Divina; por outro, sendo mortal, peregrinava na Terra, vivendo no tempo. Neste quadro conceptual, a Visão Beatífica não se repercutia quantitativa e fìsicamente, através da essência da alma, de modo a anular ou atenuar as dores da paixão; podemos inferir que em Jesus Cristo, antes da Ressurreição, possuía a Visão Beatífica com carácter Metafísico e não físico. Mesmo a alma Santíssima do Senhor, no seu todo, e através da sua essência, repercutia as dores da Paixão, na exacta medida em que constituía a forma espiritual e racional do Corpo do Senhor – o mesmo aconteceria com qualquer homem. Todavia, nas suas especificidades intelectivas e espirituais superiores, E SÓ NESSAS, a alma de Jesus não podia sofrer, porque se encontrava ilustrada com o Lume Beatífico e Incriado.

Na Sua Paixão, Nosso Senhor sofreu mais do que qualquer homem pode sofrer, física e moralmente, precisamente pela Sua Dignidade Infinita e absoluta sujeição da sensibilidade à Razão. Nosso Senhor, como aliás também Nossa Senhora, jamais puderam sofrer algo que proviesse, física ou moralmente, de si próprios, na realidade, de si mesmos não estavam sujeitos à doença e à morte. TUDO O QUE PADECERAM, OU PODIAM PADECER, FOI EXTRÍNSECO.

Sabemos que Nosso Senhor Jesus Cristo possui uma relação Transcendental com o Seu Corpo Místico, que é a Santa Madre Igreja, Pessoa Moral de Direito Divino Sobrenatural. Essa relação consubstancia-se, essencialmente, na união transcendental de Nosso Senhor com a Cátedra de São Pedro, mediante a qual, Nosso Senhor e o Seu Vigário constituem UMA SÓ CABEÇA DO CORPO MÍSTICO. A Santa Igreja constitui como que um prolongamento da Personalidade de Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; um prolongamento, através dos séculos, da benfazeja irradiação Sobrenatural, que foi a de Nosso Senhor quando peregrinou pela Terra. Porque a Graça Sobrenatural possui em Nosso Senhor toda a sua causalidade: Como Deus, e segundo um poder de Autoridade, Nosso Senhor é a Causa Principal da Graça; como Homem, e segundo um poder de excelência, Nosso Senhor é a Causa Instrumental, Primária e Eminente, da mesma Graça. Evidentemente, sem olvidar a já citada Causalidade Meritória.

Quando Nosso Senhor morreu na Cruz, apenas a Sua Alma Se separou do Corpo; porque a Pessoa do Verbo continuou Hipostàticamente unida ao Corpo e à Alma, isto é, à Natureza Humana. Cumpre assinalar que, na morte, a separação (em qualquer pessoa) do corpo e da alma é apenas ONTOLÓGICA, porque TRANSCENDENTALMENTE, a alma continua em relação com o seu corpo. Na Ressurreição, compete à alma reconstituir a realidade substancial e pessoal com a unidade orgânica que transcendentalmente lhe corresponde; o que sòmente se pode processar por acção de Deus Criador, enquanto Deus Criador. É contraditório pretender que qualquer Ressurreição possa ser operada pela natureza em si mesma, por qualquer natureza, criada ou possível.

Sabemos que o golpe maçónico conciliar destruiu a face humana do Corpo Místico. Todavia, logo vem à mente uma dúvida? Mas essa face humana é, ou não é, parte integrante da Santa Madre Igreja, tal como foi fundada por Nosso Senhor? E se é, como pode ter desaparecido?

A Natureza Humana do Senhor, evidentemente que também é parte integrante de Jesus Cristo; e todavia, como já vimos, a Alma do Senhor separou-se temporàriamente do Corpo, na morte. Mas não olvidemos que o Verbo continuou Hipostàticamente unido ao Corpo e Alma Santíssimos.

Mas estará a insinuar que a Igreja conciliar continua unida a Deus? Não, de modo nenhum, o que se afirma é que a Pessoa Moral da Santa Madre Igreja, na sua unidade, na sua indefectibilidade, na sua infalibilidade, e até na sua intangibilidade, continua transcendentalmente unida a Cristo Senhor, porque não pode sofrer com as vicissitudes do processo histórico, sejam elas quais forem.

A face humana da Santa Igreja, aquela que foi usurpada pelas forças anti-Cristo, usurpada na sua nomenclatura, nas suas funções, nas suas raízes histórico-materiais, essa continua a existir, MAS JAMAIS NAS PESSOAS DOS USURPADORES DEICIDAS ANTICRISTO – QUE MERECEM A PENA DE MORTE; continua a existir organicamente, nas almas dos verdadeiros crentes que sempre existirão, dos verdadeiros sacerdotes e bispos que também sempre existirão, e evidentemente, nas estruturas materiais que estes criarem, em concreto, e que tenderão sempre a criar no futuro. Peço ao leitor para me seguir numa analogia: Já citei a Ressurreição como a reconstituição da realidade do composto da alma com a unidade orgânica que transcendentalmente lhe corresponde. Ora uma tal unidade não implica uma IDENTIDADE DE ÁTOMOS E MOLÉCULAS COM AQUELAS QUE POSSUIU EM VIDA, PORQUE ESTAS SÃO CONTÌNUAMENTE SUBSTITUÍDAS AO LONGO DA MESMA VIDA, IMPLICA APENAS UMA IDENTIDADE FORMAL E ORGÂNICA E NÃO MATERIAL. Anàlogamente, a face humana do Corpo Místico, ao longo dos séculos, vai substituindo os indivíduos e as gerações, como é natural, mas sempre animadas da mesma Fé, Esperança e Caridade, da mesma Doutrina, da mesma Cátedra de São Pedro, do mesmo Magistério Sagrado, do mesmo Santo Sacrifício da Missa, dos mesmos Sacramentos, como membros vivos do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, logo em perfeitíssima e sublime IDENTIDADE ORGÂNICA, a qual é indefectível, porque, como dissemos, a face humana do Corpo Místico está unida a Jesus Cristo, como que num prolongamento da Sua Natureza Humana e das Suas Acções Teândricas. 

Poder-se-á argumentar: Mas esta é uma época horrorosa, A Santa Igreja desapareceu totalmente, nunca poderá voltar a ser como foi? Isso é verdade, mas apenas quantitativamente; a máquina diabólica de trituração maçónico-conciliar actuou de forma, tão rápida, tão profunda, e tão extensa, que os tempos serão de catacumbas; mesmo após a restauração da linhagem dos Papas, os tempos serão sempre amargos e de intensíssima perseguição, cruenta e incruenta; mas assim foi nos primeiros três séculos da História da Santa Madre Igreja.

É completamente falsa e herética a tese de uma conversão universal do mundo à Fé Católica e à Igreja, antes da Parúsia Final. Tal se opõe radicalmente ao Dogma, formalmente revelado por Nosso Senhor, de que o mundo, no plano moral e religioso, é essencialmente mau e inimigo da alma dos que querem seguir fielmente a Cristo. Não olvidemos que segundo os misteriosos desígnios da Providência, o mal existe para o maior resplendor da Verdade e do Bem, para maior Glória de Deus, na provação ascética e mística dos eleitos.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Fevereiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Fonte: https://promariana.wordpress.com  via  www.sinaisdoreino.com.br

 

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