A Crise da Fé: Análise Crítica do Relatório Parcial do Sínodo da Família


15.10.2014 -

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“Traição“, “revolução“, “um ataque contra o matrimônio e a família“, “terremoto“: vaticanistas e representantes de grupos pela defesa da família e da vida empregaram palavras fortes para qualificar o documento parcial publicado nessa segunda-feira pelos relatores do sínodo extraordinário sobre a família. Esses que até então se esforçaram, por prudência e lealdade filial, para se exprimirem com moderação, ou, ao invés, discrição, criticaram com violência as proposições reunidas na relatio post disceptationem (relatório após discussão). Não se trata de uma reação dialética, mas de uma benevolência bem compreendida: é a verdade que é atacada, é o ensinamento da Igreja que é travestido, é a inteligência que é insultada. Sem surpresas, as associações católicas mais liberais exultam. Elas acreditam ter a vitória. Felizmente, não se chegou a esse ponto.

Mas como pudemos chegar ao ponto onde já estamos?

Faz meses que isso era previsível: desde a acolhida entusiasta do papa Francisco à intervenção do cardeal Walter Kasper no último consistório, onde ele pleiteou, em nome da “misericórdia“, uma flexibilização da “disciplina” que proíbe os “divorciados recasados” de se aproximarem da comunhão. O papa saudava nesse cardeal alemão, com o apoio de um número não negligenciável de prelados do além-Reno, um “teólogo de joelhos“. Poder-se-ia certamente crer que o papa praticava aí um tipo de judô doutrinal: deixar vir, provocar a manifestação da técnica, para melhor dar um golpe na retaguarda. Queira Deus que assim seja. Mas isso está longe de acontecer.Claramente marcada pelos elementos mais progressistas de um sínodo que atribuíam, todavia, dominado em 80% pelos padres sinodais ligados ao ensinamento tradicional da Igreja em matéria de moral familiar, de sexualidade e de doutrina do matrimônio, a relatio post disceptationem pegou todo mundo desprevenido. Isso é ainda mais marcante porque a “liberdade de expressão“, mas também a “liberdade de organização interna” confiadas aos padres eram, pela vontade do papa, a regra desse sínodo. Ora, foi ele quem designou, por sua autoridade, no sábado, seis redatores suplementares do relatório. Todos eles são considerados como próximos dele. Falemos com franqueza: isso é um roubo à mão armada.

ROUBO À MÃO ARMADA

Um roubo à mão armada imputável ao papa? Sem dúvida me recriminarão a violência da expressão. Mas chegou o momento onde o silêncio se torna culpável, em razão das repercussões de tal documento sobre os fiéis.

Sublinhamos inicialmente que, a supor que o papa Francisco concorde fundamentalmente com certas mudanças apresentadas como puramente “pastorais”, ele se exprime sem a autoridade do Magistério. Sua opinião vale o que vale, e até aqui ele já deu suficientemente o exemplo de uma propensão em falar de modo imprudente às mídias, de modo que mesmo a Sala de Imprensa do Vaticano se crê obrigada a retificar o tiro. Se ele é contestável, se príncipes da Igreja são contestáveis em relação à doutrina certa, é preciso – é um dever – contestá-los.

Sabemos – segundo ponto – que a doutrina da Igreja não pode mudar, e que ela tem a promessa da assistência do Espírito Santo. Não estamos aqui num ponto de ruptura, mas, infelizmente, o ano que nos separa da segunda parte do sínodo vai, forçosamente, abrir a Igreja a todos os ventos, e isso é um drama (o cardeal Tagle não disse, sorrindo, no fim da apresentação do relatório à imprensa: “o drama continua”?). É hora, portanto, de oração e súplica, e de confiança, apesar de tudo – mas isso não impedirá os estragos colaterais.

É por isso que, ainda que não houvesse senão ambiguidades, o dever de contestação se impõe. Ora, há muitas delas no relatório parcial do sínodo, visto que se trata de um emaranhado de intervenções da primeira semana de debates e porque numerosas expressões mais tradicionais da doutrina figuram nele. Mas a dominante é clara.

O SÍNODO DAS MÍDIAS

Também é preciso levar em conta o modo cujas mídias têm apresentado esse documento: é a interpretação delas que dominará nas mentes, e é ela que permitirá levar até mais além o que diz o relatório. Vejam esse despacho da AFP, que saiu na segunda-feira às 16h08 sob o título “O sínodo reconhece valores positivos ao casamento civil” e cujas primeiras linhas dizem o que as mídias querem entender e difundir:

    “Um primeiro resumo dos trabalhos do sínodo dos bispos sobre a família reconheceu, nessa segunda-feira, valores positivos do casamento civil e ofereceu uma apreciação mais benevolente das uniões de fato estáveis, incluindo aí as homossexuais”.

Uma associação homossexualista “católica”, a New Ways Ministry, não se enganou e explorou o acontecimento com entusiasmo. Seu diretor-executivo, Francis DeBernardo, presente em Roma para o “sínodo alternativo” dos LGBT, declarou:

“Creio que estamos vendo o que esperávamos há muito tempo: o gelo se partiu. Esse é o sinal de um primeiro passo”. “Eufórico” com a ideia de que a Igreja possa parar de utilizar a terminologia clássica para designar o pecado sexual, como propuseram vários padres sinodais, ele acrescentou: “Creio que a mudança da linguagem provoca uma reação em cadeia: uma mudança da linguagem arrastará uma mudança da prática pastoral, o que provocará uma mudança no ensino”.

Pelo menos ele não tem uma esponja no lugar do cérebro…

A SATISFAÇÃO DOS LOBBIES LGBT

Outros líderes LGBT falam nesse sentido, assim como o relata Hilary White para o LifeSite. Ela acrescenta que os cardeais que se expressam assim, confortados pelas palavras do papa Francisco, “quem sou eu para julgar?”, não chegam, certamente, a justificar o “casamento” homossexual: eles se contentam em encontrar qualidades nas pessoas homossexuais, ou, como o afirma a relatio, a admirar os casos onde (há) o “apoio recíproco, até o sacrifício” que “constitui uma ajuda preciosa para a vida dos parceiros“. Mas esse modo de falar deixa entrever a aprovação do estilo de vida.

Pouco numerosos, esses cardeais e bispos conhecidos por terem esse ponto de vista se beneficiam hoje, pelo jogo do sínodo, de uma visibilidade midiática e de um peso no seio da Igreja que não corresponde à realidade. Estamos diante de uma operação de agitação midiática.

Quais são os seus objetivos? Além da questão dos homossexuais, há todo o rigor da exigência cristã em matéria de sexualidade e de doutrina do matrimônio que está sob o fogo dos ataques. Não devemos nos espantar com isso: essas verdades sobre o homem e a mulher são hoje o alvo principal dos adversários da Igreja. O ataque se exprime já faz décadas, numa desconstrução sem precedentes dos fundamentos naturais da sociedade; hoje ela visa a única instituição no mundo que, não deixando nunca de afirmar a dimensão espiritual e sacramental do matrimônio, sinal da fidelidade do amor divino e de sua aliança com o homem, sempre recordou que a indissolubilidade e a fecundidade do matrimônio natural são condições imprescritíveis para o bem comum, o bem social, o bem natural do homem.

ANTIRRACISMO

O ataque é conduzido com palavras que não enganam sobre a origem e os objetivos dos destruidores. “Acolhida”, “condições existenciais”, “perspectiva inclusiva”, “diálogo”, “discriminação”: isso é o registro do antirracismo que culmina na recusa de toda distinção entre os homens. Ele se exprime perfeitamente nas diferentes constituições, cartas dos direitos e leis penais que proíbem qualquer discriminação “em razão” da raça, da etnia, da nacionalidade, da religião, do sexo e da orientação sexual. No fundo, essa é a expressão legal do que Bento XVI chamou de a ditadura do relativismo, que é uma tirania que impede a afirmação clara da distinção entre o bem e o mal.

A relatio post disceptationem não chega a esse ponto, mas sua expressão indica claramente a tendência e se fundamenta sobre o mesmo chamado ao sentimento, a mesma recusa do raciocínio, a mesma globalidade e o mesmo globalismo que gostaria de impedir qualquer discernimento analítico, em qualquer nível que seja. A menos que essa “análise” não culmine no afastamento de toda verdade rigorosa apresentada como causa de “rejeição” ou de exclusão…

Algumas afirmações da relatio post disceptationem merecem ser mencionadas mais detalhadamente.

O HOMEM NÃO É MAIS ELE MESMO?

No número 5, falam-nos inicialmente de uma “mudança antropológica”, que evitam definir. Aí está, todavia, a chave de leitura do documento. Em bom francês (e italiano, língua original do documento), isso designa uma mudança do próprio homem, e não somente uma mudança sociológica – essa é, ademais, designada como uma “mudança cultural”. Se o homem está modificado, é porque ele é outro: ele não pensa mais, ele não age mais do mesmo modo, ele não respeita mais as mesmas regras como outrora porque sua natureza está modificada. Razão pela qual não se poderia mais exigir um mesmo respeito por um “ideal”, que agora o ultrapassa. E eles ousam sugerir que eles requerem apenas a consideração da realidade concreta!

Retomemos: “A mudança antropológica e cultural influencia hoje todos os aspectos da vida e requer uma abordagem analítica e diversificada, capaz de perceber as formas positivas da liberdade individual”. Sem negar os aspectos negativos desse individualismo, a ideia maior que os relatores querem fazer passar é de que é preciso partir de uma busca do bem nas situações intrinsecamente desordenadas. Para atrair as pessoas, que aí se encontram, a termo, e segundo a “lei da gradualidade”, rumo ao verdadeiro bem do matrimônio e da castidade própria a cada estado de vida? Mal se vê de que modo sem a clara afirmação do verdadeiro bem nem da realidade e da gravidade do pecado que corta a graça.

Se a Igreja fosse apenas um clube beneficente onde importa se sentir bem e abrir suas portas para todos, essa linguagem teria seu lugar. Mas a Igreja é o Corpo de Cristo; sobre esta terra ela tem por objetivo materno conduzir todos à Redenção, arrancando-os da condenação eterna, que seria nosso prêmio sem o sacrifício de Cristo – e Ele não pregou uma moral situacional. Acolhida dos pecadores? A Igreja está aí para isso, e todos nós somos: porém ela não nos apresenta um “ideal”, mas o caminho, o único, da Verdade e da vida.

ONDE FORAM PARAR O CÉU E O INFERNO?

Buscamos em vão no relatório parcial do sínodo, que supostamente expressa o ensinamento católico e determina como conduzir os católicos a aderir a ele, uma frase sobre os fins últimos do homem e a razão sobrenatural pela qual, em definitivo, todo homem é chamado a seguir Jesus, Pastor exemplar que pediu para cada um carregar sua cruz. Suas mais duras palavras foram aquelas que “escandalizam” os pequenos, deixando-os crer que o mal pode ser um bem, arrastando-os assim ao pecado. Então, quando a relatio fala de acolher as pessoas nas mais disparatadas situações (nº 11) para encorajar “o desejo de Deus e a vontade de se sentir plenamente parte integrante da Igreja”, não contestaremos, certamente, a importância para todos de encontrar Deus e o dever da Igreja de ajudá-los a isso, mas isso não pode ser ao custo de uma redefinição da misericórdia, como se essa pudesse contradizer a verdade. É Deus quem julga em toda sua justiça, levando em conta certas fraquezas e o perdão demandado: mas não se pede perdão por um mal com a firme intenção de nele permanecer.

O nº 14 da relatio é um monumento de má-fé.

    “14. O próprio Jesus, referindo-se ao desígnio primário sobre o casal humano, reafirma a união indissolúvel entre o homem e a mulher, compreendendo que “em razão de vossa dureza de coração (que) Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas nem sempre foi assim” (Mt 19, 8). Desse modo, Ele mostra quanto a condescendência divina sempre acompanha o caminho do homem, orientando-o rumo ao seu princípio, não sem passar pela cruz”.

CRISTO CENSURADO

Como se o próprio Jesus, dizendo isso, não tivesse acrescentado essas palavras abrasadoras: “O que Deus uniu, o homem não separa”. Com qual direito eles escamotearam essas palavras essenciais? Jesus não falava a um público mais receptivo que aquele do século XXI, todavia […]

É ainda ele quem desmonta a artimanha dos nº 17 ao 20, que afirmam encontrar elementos positivos nas coabitações e nas “segundas núpcias”, não dos não cristãos, mas naquelas dos católicos das “semini Verbi espalhadas fora das fronteiras sacramentais”. Tanto há verdade que todo bem advém de Deus, o que permite discernir os elementos de verdade que pode haver na religiosidade natural ou no matrimônio de não cristãos que respeitam seus fins naturais, tanto há na afirmação de que uma situação objetiva de pecado poderia ser um princípio de bem em si, evoluindo rumo a uma plenitude do bem. Essa é a confusão entre os atos objetivamente bons que cada um pode ter, e o âmbito objetivamente mau onde ele escolheu se colocar.

Pedir para a Igreja “se voltar com respeito rumo àqueles que participam de sua vida de modo incompleto e imperfeito, apreciando mais os valores positivos que eles conservam do que seus limites e suas faltas” (nº 20) demonstra a mesma confusão voluntária: confusão entre o respeito pelas pessoas e o julgamento feito sobre seu estado de vida – julgamento misericordioso se se pretende dizer que esse estado é sinônimo de morte espiritual da qual é possível sair.

O VALOR DO CONCUBINATO

O nº 22 propõe considerar a coabitação estável, sancionada ou não por um casamento civil, “marcada por uma afeição profunda, pela responsabilidade perante os filhos, por uma capacidade em resistir nas provações”, “como um rebento a ser acompanhado em seu desenvolvimento rumo ao sacramento do matrimônio”. Novamente confusão: é claro que é preciso tentar os casais católicos (e mesmo os demais, chamados à mesma salvação!) que escolheram a união de fato ou o matrimônio civil a se comprometerem no matrimônio sacramental. Ademais, muitos pastores sublinham quanto esses compromissos ganham ao serem feitos após um período de continência para marcar, precisamente, a diferença entre os dois estados e o reconhecimento do que o matrimônio sacramental representa.

Porém buscando o “bem” nas uniões livres ou civis, designam-nas como boas. Para os pais cristãos, que tapa! Agora eles devem acompanhar seus filhos em direção à união livre porque essa é um “rebento” de matrimônio sacramental? Eles serão “discriminatórios” se eles ousarem salientar inicialmente o mal e o perigo dessas uniões? Tratar-se-ia de renunciar coletivamente em nome da “mudança antropológica”?

Devemos acreditar nisso, visto que a relatio propõe não que a missão obtém a conversão das ovelhas extraviadas, mas que se opera uma “conversão missionária”, “requerida”. Em outros termos, que aquele que diz o bem renuncie ao mal que não se hesita a pontuar nele: “Não se deve se limitar a um anúncio puramente teórico e separado dos problemas reais das pessoas”. É no nº 28, que prossegue: “Não se deve se esquecer nunca que a crise da fé comporta uma crise do matrimônio e da família e, consequentemente, a transmissão da fé dos pais aos filhos tem sido frequentemente interrompida”.

A CRISE DA FÉ

E por que isso? Porque a fé não tem sido mais ensinada. É em razão de certos homens da Igreja terem abandonado o anúncio sistemático e argumentado da verdade sobre o casamento – que nada impede de ser libertador e entusiasmante, justamente porque a verdade liberta e o entusiasmo é etimologicamente uma manifestação da presença divina – que o casamento está em crise. Recordo-me, quando menininha, passando minhas férias nos Países Baixos, no fim dos anos 1960, do júbilo das primas maiores: “A gente pode fazer o que quiser! É o padre que acaba de nos dizer isso”. Isso concernia, compreendi melhor mais tarde, à atividade sexual fora do casamento e à contracepção.

Detemo-nos um pouco mais sobre o nº 28. Ele é concluído com essas palavras: “Quando é confrontada por uma fé sólida, a imposição de algumas perspectivas culturais que enfraquecem a família e o matrimônio não tem importância”. Dito de outra forma, uma fé forte preserva dos erros do tempo, do “mundo” no qual vivemos. O mais urgente então não é ensinar a “fé forte”, sem atenuar seu conteúdo, sem enfraquecer seu sal?

No nº 30, os relatores se oferecem um pequeno subterfúgio pelo diálogo inter-religioso, explicando que “muitos têm insistido sobre uma aproximação mais positiva das riquezas contidas nas diferentes experiências religiosas, sem ignorar as dificuldades. Nos diferentes contextos culturais, é preciso inicialmente aproveitar as possibilidades, depois, à luz dessas, afastar os limites e as radicalizações”. E isso da parte da Igreja, que tem as palavras de vida eterna!

O nº 36 retorna sobre a “realidade positiva dos casamentos civis e, levando em conta suas diferenças, dos concubinatos”: eis o matrimônio sacramental relegado ao nível do “ideal”, ao qual se pode aspirar ou do qual se separa. O nº 37 convida a Igreja a “ir em socorro” àqueles que vivem num concubinato “ad experimentum” (casamento por experiência) ou num “casamento por etapas” à moda africana, sendo para todos a “casa aberta do Pai”. Penso na parábola do filho pródigo: é rompendo com sua vida dissoluta e reconhecendo sua falta, impelido pela miséria que se tornou para ele misericórdia, que ele volta ao Pai e aí encontra a porta sempre aberta.

O nº 38 fala das dificuldades materiais para se casar e do medo dos compromissos definitivos e das postergações “não por rejeição dos valores cristãos relativos à família e ao matrimônio, mas sobretudo pelo fato que se casar é um luxo”. Do custo da festa ao custo do dote… Mas a resposta da Igreja deve realmente se centrar sobre o fato de que “também nessas uniões, pode-se ver valores familiares autênticos, ou, ao menos, o desejo desses”? De tanto “positivar”, por que se preocupar? Por que sugerir em seguida o que é considerado como impossível a princípio?

Passemos sobre a simplificação dos processos de reconhecimento de nulidade, isso merece desenvolvimentos separados.

DIVORCIADOS “RECASADOS”

O nº 46 fala dos divorciados recasados (sem aspas, visto que o casamento civil tem aspectos positivos…):

    “46. Também as situações dos divorciados recasados requer um discernimento atento e um acompanhamento marcado pelo respeito, evitando qualquer linguagem ou atitude que os fariam se sentir discriminados. Cuidar dessas pessoas não representa, para a comunidade cristã, uma flexibilização de sua fé e de seu testemunho da indissolubilidade do casamento, ao contrário, é por esses cuidados que ela expressa sua caridade.

Experimentaremos o “ao contrário” que confunde fé e caridade. Seguramente, a Igreja deve dar seu socorro – a comunicação da graça – a todos os homens que necessitam dele. Mas não se trata disso.

O nº 47 é outro monumento:

    “47. Com respeito à possibilidade de aceder aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, alguns argumentaram a favor da disciplina atual em virtude de seu fundamento teológico, outros se expressaram por uma maior abertura em condições bem precisas, quando se trata de situações que não podem ser dissolvidas sem determinar novas injustiças e sofrimentos. Para alguns, o eventual acesso aos sacramentos deve ser precedido de um caminho penitencial – sob a responsabilidade do bispo diocesano -, e com um compromisso evidente em favor dos filhos. Tratar-se-ia de uma situação não generalizada, fruto de um discernimento realizado caso a casa, segundo uma regra de gradualidade, que leva em conta a distinção entre estado de pecado, estado de graça e circunstâncias atenuantes”.

DO SAQUE DE ROMA AO DO MATRIMÔNIO

Esse é o ponto nevrálgico, o ponto de oscilação perseguido, tanto é verdade que o divórcio está na raiz de todas as outras destruições da família, da filiação, da sociedade. É perguntado de passagem qual pode ser esse “compromisso evidente em favor dos filhos“. Nunca se ouve os partidários dessa comunhão concedida sem a intenção de sair de uma situação objetivamente e gravemente desordenada precisar de quais filhos se trata: os do “primeiro” casamento? Os da nova união? E depois: há agora etapas entre o estado de pecado e o estado de graça onde poderíamos nos encontrar um pouco, em razão das “circunstâncias atenuantes“?

Os últimos parágrafos concernentes à acolhida dos homossexuais; pareceria que o cardeal Peter Erdö, que apresentou o relatório à imprensa, ficara aborrecido com isso, não tendo, parece, se dado ao trabalho de tomar conhecimento dele antes da apresentação: tratar-se-ia da opinião do redator, muito liberal, Dom Bruno Forte. Após ter advogado pela acolhida das pessoas, o que não tem nada de escandaloso em si, o artigo 50 fala desses homossexuais que “desejam encontrar uma Igreja que seja uma casa acolhedora“. “Nossas comunidades podem o ser aceitando e avaliando sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o matrimônio?“. No contexto, mal se compreende a escolha de “avaliando” para traduzir a palavra italiana original “valutando“: como “avaliar” uma orientação sexual? “Apreciar” seria entendido melhor, no sentido de “valorizar“. E isso dispensa comentários…

VALORIZAR A HOMOSSEXUALIDADE

Porém o parágrafo que mais agradou às mídias é esse, não obstante o precedente que evoca, para denunciá-los, os “organismos internacionais” que “submetem as ajudas financeiras à condição de introduzir leis que se inspiram na ideologia de gênero“:

    52. Sem negar as problemáticas morais ligadas às uniões homossexuais, se leva em consideração que há certos casos em que o apoio recíproco, até o sacrifício, constitui uma ajuda preciosa para a vida dos parceiros. Ademais, a Igreja dá uma atenção especial aos filhos que vivem com casais do mesmo sexo, insistindo que as exigências e os direitos dos pequenos devem sempre estar em primeiro lugar”.

Fazendo de modo abusivo a confusão entre atos objetivamente bons e o âmbito onde eles ocorrem, cai-se novamente nos erros quanto às uniões de fato. A imprensa viu aqui um reconhecimento das uniões homossexuais, e tendo em conta a letra desse número 52, isso não se justifica. Mas essa é a impressão que domina. Apesar de, em outras partes, o documento sugerir que os nossos contemporâneos pensam cada vez mais com seus ventres, é ela que permanece; poder-se-ia até dizer isso antecipadamente.

DE PÉ!

Esse “terremoto” em todos os níveis terá ao menos o mérito de despertar os adormecidos. Ira e interrogações parecem ter acolhido o texto da relatio - “O que aconteceu com a noção do pecado?“, pergunta um bispo.

A doutrina da Igreja não mudará. Mas, entretanto, ei-la exposta, atacada, ridicularizada, ao ponto que aqueles que a defendem passarão por fariseus. Onde se compreende a que ponto a Igreja é a única fortaleza que se mantém de pé diante dos assaltos da cultura de morte. Uma fortaleza de um tipo um pouco particular, visto que ela está disposta a oferecer sua proteção a todos os homens de boa vontade.

Fonte: Jeanne Smits – Riposte Catholique / Tradução: Dominus Est

http://catolicosribeiraopreto.com  e    www.rainhamaria.com.br

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Nota de www.rainhamaria.com.br

Por Dilson Kutscher

NOVAMENTE LEMBRANDO...

Disse o zeloso e conservador Padre Michael Rodriguez: O inimigo está bem dentro da Santa Igreja Católica Romana. Na noite mais sagrada da história da humanidade, quando o Filho de Deus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio… a serpente estava lá, sussurrando no ouvido de Judas Iscariotes.

"Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze". (São Lucas 22, 3)

São Pio X ensina que os inimigos da revelação divina ao exaltar o progresso humano, visam introduzir na religião católica um aperfeiçoamento puramente humano, pois julgam que a revelação não é perfeita e, por isso, está sujeita ao progresso contínuo da razão.

Em sua Carta Encíclica, Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907, na qual ele condenou a heresia do modernismo, o Papa São Pio X escreveu que os hereges “não estavam apenas dentre os inimigos declarados da Igreja; mas, o que é mais assustador e deplorável é que eles estavam em seu próprio seio.” Ele chama esses modernistas de “os mais perniciosos de todos os adversários da Igreja”. Salienta que eles buscam destruir a Igreja a partir de dentro e escreve que esse perigo “está presente quase nas próprias veias e coração da Igreja.”

Santa Catarina escreveu o seguinte aos Bispos maus: “Não sois flores que lançam perfume, mas mau cheiro que empesta o mundo todo (...) Fostes escolhidos como anjos terrestres, para nos libertar do demônio do inferno (...) e, no entanto, quereis o ofício dos demônios. Esta não é cegueira da ignorância (...) Não: porque vós sabeis qual é a verdade (...) Ah! Como sois loucos! (...) Digo-vos isto sem reverência alguma, porque estais privados da reverência. Ai! Insensatos, dignos de mil mortes! Como cegos não vedes o vosso mal”.

"Se um futuro Papa ensinar algo contrário à Fé Católica, não o sigam." - Papa Pio IX, Carta ao Bispo Brizen, citado em "In His Name", E. Christopher Reyes, 2010

Diz na Sagrada Escritura:

"Ai de vós, filhos rebeldes! - oráculo de Javé. Fazeis planos que não nascem de Mim, fazeis acordos sem a minha inspiração, de maneira que amontoais erros e mais erros". (Isaías 30,1)

"Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te". (Apocalipse 3, 15 -16)

."JESUS disse-lhes: "Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. Em vão, pois Me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (Is. 29,13). Deixando o mandamento de DEUS, vos apegais à tradição dos homens." (Marcos. 7, 6-9)

"Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!" (Romanos 1, 25)

Declarou o Arcebispo  francês Marcel Lefebvre

Em Homilia proferida em Lille, em 29 de agosto de 1976.

"Não somos contra ninguém. Não somos destacamentos. Não desejamos mal a ninguém. Queremos somente que nos deixem professar nossa fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. E por causa disso nos expulsam de nossas igrejas, expulsam esses pobres padres que dizem a missa tradicional pela qual todos os nossos santos e nossas santas foram santificados: Santa Joana d’Arc, o Santo Cura d’Ars, Santa Teresa do Menino Jesus.

E é por isso que não estamos no cisma, somos os continuadores da Igreja católica. São aqueles que fazem as novidades que estão no cisma. Nós continuamos a Tradição, e é por isso que devemos confiar, não devemos nos desesperar mesmo diante da situação atual, devemos manter, manter nossa fé, manter nossos sacramentos, apoiados sobre vinte séculos de tradição, apoiados sobre vinte séculos de santidade da Igreja, de fé da Igreja.

Alguns jornalistas me perguntaram por vezes: “Monsenhor, o senhor se sente isolado?”. “De modo algum, de modo algum, não me sinto isolado, estou com vinte séculos de Igreja, e estou com todos os santos do céu!”

Apariçöes de Nossa Senhora: Japäo- A Advertência de Akita.

A aparição foi considerada autêntica, como foram Lourdes, La Salette, Fátima...

Parte da mensagem recebida pela monja Agnes Katsuko Sasagawa:

A PROFECIA DE NOSSA SENHORA SE CUMPRE, ELA DISSE

"O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais, e bispos contra bispos. Serão desprezados os padres que me veneram e terão opositores em todos os lugares. Haverá vandalismo nas Igrejas e altares. A Igreja estará cercada de asseclas do demônio que conduzirá muitos padres a lhe consagrar a alma e abandonar o serviço do Senhor".

 

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