O Momento de Escolher entre São João Batista e Herodes


19.10.2014 -

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Nestes últimos dias presenciamos a batalha do Sínodo da Família. É uma batalha importante, inserida em uma grande guerra. Uma guerra que se estende por toda a História, descrita por Santo Agostinho como sendo a guerra da Cidade de Deus contra a Cidade dos Homens.

Por Santo Inácio também, na meditação das duas bandeiras, onde uma bandeira é a dos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo e outra do demônio. Uma guerra com muitas batalhas, como aquela entre São João Batista e Herodes.

Fazia muito tempo que não se apresentava de forma tão clara uma tal divisão no clero católico. Vem à lembrança a história do Arianismo. A ideia de diálogo, somada ao princípio de que toda a divisão em si mesma constitui algo mau, levou a uma atitude psicológica contrária ao debate. Neste tipo de ambiente, as doutrinas erradas prosperam facilmente. Com a graça de Deus, pelo menos isto não ocorreu neste Sínodo. Boa parte, talvez mesmo a maioria dos Bispos são contrários às propostas que vem sendo difundidas.

O Padre Lombardi, porta-voz da Santa Sé, constatando que não é possível esconder o sol ao meio-dia, admitiu a existência das duas correntes e as apresentou da seguinte forma:

Surgiram, pois duas linhas: uma “diz com muita decisão que o anúncio do Evangelho sobre o matrimonio exige, que se o vínculo é válido, que não seja válida a admissão aos sacramentos, por coerência a doutrina com a fidelidade as palavras do Senhor; a outra, ao contrário recorda que Jesus vê as situações vividas desde a chave da misericórdia e sai ao encontro das diferentes situações específicas, por isto é chegado o momento de colocar a hipótese de, em certos casos, permitir o acesso a Eucaristia” (http://vaticaninsider.lastampa.it/es/vaticano/dettagliospain/articolo/sinodo-famiglia-36837/)

Na primeira semana dos debates, a oposição entre as duas linhas se concentrava na permissão da comunhão para os divorciados-recasados. Essa concessão, em última análise, implicaria na aceitação do próprio divórcio na Igreja, mesmo que o Padre Lombardi, em sua linguagem eclesial,  afirme que aqueles que propõem a abertura não negam – de maneira alguma! – a indissolubilidade do matrimônio.

Agora, com o documento proposto para a discussão, “Relatio post Disceptationes” as “linhas” se separam ainda mais, pois fala-se em  “aceitação” e “valores” dos casais homossexuais.

Sobre o texto, o  Cardeal Muller afirmou:

“Relatório vergonhoso” – “indigno, vergonhoso, completamente errado.”

www.repubblica.it/esteri/2014/10/14/news/sinodo_mueller_critiche-98111405/?rss

Assim, desta vez, não houve como evitar um “racha” na “comunidade eclesial”.

De um lado Kasper e seus aliados, defendendo em última análise o divórcio e o homossexualismo, tendo como justificativa o aspecto pastoral e repetidamente afirmando que tudo o que faz está previamente acertado com o Papa. Quem diria? Kasper, um devoto da autoridade petrina!

De outro lado, o Cardeal Burke e um significativo número de cardeais, provavelmente a maioria do Sínodo, defendendo a doutrina católica. A origem de um tão profundo racha talvez esteja no fato de que as teses defendidas por Kasper são claramente contrárias ao ensinamento da Igreja, mesmo após o Concílio Vaticano II.

Pois o Cardeal Burke não se intimidou ante a bazófia de Kasper que alega fidelidade ao Papa. Burke pede um pronunciamento de Francisco. O que será que o Cardeal Burke espera? Que se trate de um blefe de Kasper? Que o Papa não teria a ousadia de defender as absurdas teses em público? E se as defendesse? Se ninguém pode mudar a doutrina católica, o que o Cardeal Burke dirá se o Papa confirmar as teses de Kasper?

Entende-se bem que qualquer autoridade eclesiástica, com alguma responsabilidade, deva ter receio de apoiar Kasper. Suas teses já foram amplamente condenadas na Igreja e não é necessário, para encontrar essas condenações, retornar ao Concílio Vaticano I, ou a Trento.

Apenas para dar um exemplo, citamos o “Léxico de Termos Ambíguos e Discutidos sobre Família, Vida e Questões Éticas”,  elaborado pelo Conselho Pontifício para a Família, que é um conselho subordinado diretamente ao Papa, o qual na época da publicação era João Paulo II, canonizado recentemente por Francisco.

O Léxico foi editado em abril de 2004, ou seja, há apenas 10 anos, trazendo uma quantidade enorme de artigos diametralmente apostos ao pensamento de Kasper. Vejamos apenas uma citação que consta do tema “Pastoral dos divorciados que voltaram a casar”. É exatamente o assunto de que trata Kasper. O autor é o Cardeal Lopez Trujillo, então presidente do Conselho para a Família.

“…O sujeito se ergue como norma de sua própria moralidade e resiste ao fato de que na Igreja, o “público” interpele e se intrometa em sua livre vontade em suas “decisões”.

Este é um mecanismo de destruição. Assim, como no social existe o risco de converter o “delito” em “direito”, porque o reino do subjetivo veta toda imposição (ou melhor, porque a mesma lei iníqua se interpreta desvalorizando o edifício ético), em uma privatização na Igreja existe o risco de que, uma vez negada a malicia dos atos intrinsicamente desordenados, (porque não estão orientados ao bem integral do homem e não podem ser reordenados até Deus), se negue o pecado.

Se pretende buscar exceções às normas (vinculantes universalmente). Santo Agostinho advertia que “em relação aos atos que são em si mesmo pecado, como roubar, fornicar [adultério], blasfemar, e atos parecidos a estes [como sodomia]…, realizados por boas razões, não seriam pecados, ou melhor, conclusão ainda mais absurda, seriam pecados justificados”.

(Lexico a cargo del Consejo Pontifício para la Família – Termos ambíguos y discutidos sobre família, vida e cuestiones éticas. Ediciones Palabra, Madrid, 2004. Negrito e tradução nossas)

Não temos aí então exatamente o contrário do que defende Kasper? Não quer ele buscar exceções às normas? Não afirmam ele e seus comparsas que divorciados e casais homossexuais, se têm boas intenções, não cometem pecado? Ou ao menos que se tratam de pecados justificados por uma situação concreta?  E que, diante destes casos concretos, deve-se analisar cada situação específica, buscando exceções às normas vinculantes?

Em apenas dez anos, o que a Igreja recomendava, através de um Instituto Pontifício (ou seja, um instituto cuja autoridade é diretamente ligada ao Papa!), deve ser alterado por causa da pastoralidade, a ser aplicada a alguns casos desconhecidos, enquanto o ensinamento da Igreja tem que ser deixado de lado.

Por um lado, a discussão do tema tem em uma boa consequência: fica claro que existe uma divisão e fica ressaltada a posição de ambos os lados. A mistura da agua com veneno diminui.  Os católicos não são iludidos com posições intermediarias, que servem para confirmar aqueles que estão no erro e enganar pessoas bem intencionadas e ingênuas.

Por outro lado, a discussão tem um péssimo efeito. Muitos poderão pensar que, se o assunto está sendo discutido, é porque não foi definido. E, sendo assim, até que ocorra esta definição, fica a critério de cada clérigo  seguir as linhas mais absurdas dentre as defendidas por Kasper.

Aliás, se houve outros assuntos discutidos no Sínodo da Família, eles passaram completamente despercebidos. Com isto, de fato, não foi discutido nada sobre a família, uma vez que os casais de segunda união não são de fato uma família. O nome correto deveria ser sínodo dos divorciados e dos casais homossexuais e não Sínodo da Família.

A consequência de tudo isto é que a pastoralidade pregada por Kasper levará os divorciados e casais homossexuais a não reconhecerem seus erros e não se arrependerem deles. Fará com que aqueles que estão tíbios não tenham forças para resistir aos apelos do mundo e às tentações do demônio. Já os que estão decididos a manter uma vida católica serão tomados pelo desânimo. Ou seja, uma enorme tragédia no que se refere à salvação das almas.

Estaremos exagerando em nossas análises?

É muito fácil provar que não. Basta ver a absurda e espantosa declaração do casal Zamperlini, brasileiros e dirigentes do movimento “Equipes de Nossa Senhora”, que esteve presente no Sínodo. Dir-se-iam perfeitos discípulos da mentalidade do Cardeal Kasper pois, após afirmarem que o fundador de seu movimento pregava a generosidade da prole no casamento:

“Padre Henri Caffarel, nosso fundador, afirma: “nenhum casal tem o direito de ser estéril”

Alteram radicalmente seu pensamento, afirmando, da maneira mais cínica, que os casais do movimento católico que dirigem não cumprem a lei de Deus, utilizando-se de métodos artificiais de controle da natalidade. E isto porque nem nos confessionários nem nos púlpitos estes casais são advertidos:

“Dada a seriedade do ambiente no qual nos encontramos, temos que admitir sem medo que muitos casais católicos, mesmo os que procuram viver seriamente o seu matrimônio, não se sentem obrigados a usar apenas os métodos naturais. Nas Equipes de Nossa Senhora não é diferente. Devemos acrescentar ainda que geralmente não são questionados pelos confessores. Por um lado, os casais estão abertos à vida e rejeitam o aborto, isto é fato. Por outro, não percebemos nas pregações e atendimentos espirituais a insistência na doutrina da Humanae Vitae”.

http://press.vatican.va/content/salastampa/pt/bollettino/pubblico/2014/10/09/0734/03017.html

Que desastre! Os líderes de uma associação de casais que se diz oficialmente católica, afirmam abertamente que seus associados não cumprem a lei de Deus e aquilo que a Igreja determina. E mais, atribuem ao clero a culpa por este comportamento. Será que pode-se dizer que este grupo encontra-se em comunhão eclesial?

Será que não haverá uma única autoridade eclesiástica no Brasil a contestar tamanho absurdo?

Será que não haverá ninguém no clero que esteja preocupado com a salvação destas almas?

Porque estava preocupado com a salvação das almas, São João Batista se dirigiu a Herodes. A pastoralidade de São João Batista consistiu em dizer a Herodes que não era lícito a ele tomar a mulher do irmão. São João sabia que o pecado público precisa ser combatido de forma pública. Ele tinha a pastoralidade que corresponde com acerto ao ensinamento de Santo Agostinho, e foi nisso elogiado por Nosso Senhor.

Provavelmente  Kasper, se vivesse naquele tempo, afirmaria que o trabalho de São João foi um fracasso! Não só Herodes não voltou atrás mas, ao se sentir humilhado,  cometeu um pecado mais grave ainda: o assassinato do próprio  São João Batista. Em uma análise mais atual, chegar-se-ia a discernir que Herodes tinha boa vontade, pois desejava manter uma união estável com sua cunhada e amava tanto a filha adotiva que lhe fez uma promessa exagerada.

O problema é que faltou pastoralidade a São João Batista, diria Kasper.

Chegou o momento em que os Padres do Sínodo, o clero em geral e muitos de nós devem escolher entre Herodes e São João Batista.

Por Alberto Luiz Zucchi

Fonte: http://www.montfort.org.br   e   www.rainhamaria.com.br

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Nota de www.rainhamaria.com.br

Por Dilson Kutscher

NOVAMENTE LEMBRANDO...

Em uma entrevista de 1992 com o Padre Malachi Martin, consultor teológico do Cardeal Augustin Bea, disse o seguinte: Não há dez bispos que concordem com alguma coisa. Não há duzentos padres que concordem com alguma coisa. Não há coesão sobre a presença real do Santíssimo Sacramento, sobre a devoção a Nossa Senhora, sobre o valor do celibato, sobre o valor da pureza, sobre o valor do matrimônio, ou sobre o valor da vida humana. Estamos divididos pela dissensão. A maioria dos católicos romanos da América aceitam a contracepção. A maioria aceita o aborto como opção. Um elevado percentual aceita o homossexualismo. O que é isso? Temos o homossexualismo nos seminários, dirigidos pelos bispos. Temos hereges ensinando nos seminários, dirigidos pelos bispos. A Igreja como a conhecíamos não existe mais! E Roma não pode fazer nada a respeito. O Cardeal Ratzinger não pode fazer nada a respeito. O Papa não pode fazer nada a respeito. Eles sabem disso tudo, mas eles não podem fazer nada a respeito. Então, descobrimos que há um anel de sacerdotes na Arquidiocese de Chicago, que tem praticado pedofilia satânica. Por quanto tempo isso tem ocorrido? E ninguém tem feito nada a respeito! A Igreja não existe como antes.”

Disse o zeloso e conservador Padre Michael Rodriguez: O inimigo está bem dentro da Santa Igreja Católica Romana. Na noite mais sagrada da história da humanidade, quando o Filho de Deus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio… a serpente estava lá, sussurrando no ouvido de Judas Iscariotes.

"Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze". (São Lucas 22, 3)

São Pio X ensina que os inimigos da revelação divina ao exaltar o progresso humano, visam introduzir na religião católica um aperfeiçoamento puramente humano, pois julgam que a revelação não é perfeita e, por isso, está sujeita ao progresso contínuo da razão.

Em sua Carta Encíclica, Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907, na qual ele condenou a heresia do modernismo, o Papa São Pio X escreveu que os hereges “não estavam apenas dentre os inimigos declarados da Igreja; mas, o que é mais assustador e deplorável é que eles estavam em seu próprio seio.” Ele chama esses modernistas de “os mais perniciosos de todos os adversários da Igreja”. Salienta que eles buscam destruir a Igreja a partir de dentro e escreve que esse perigo “está presente quase nas próprias veias e coração da Igreja.”

Santa Catarina escreveu o seguinte aos Bispos maus: “Não sois flores que lançam perfume, mas mau cheiro que empesta o mundo todo (...) Fostes escolhidos como anjos terrestres, para nos libertar do demônio do inferno (...) e, no entanto, quereis o ofício dos demônios. Esta não é cegueira da ignorância (...) Não: porque vós sabeis qual é a verdade (...) Ah! Como sois loucos! (...) Digo-vos isto sem reverência alguma, porque estais privados da reverência. Ai! Insensatos, dignos de mil mortes! Como cegos não vedes o vosso mal”.

"Se um futuro Papa ensinar algo contrário à Fé Católica, não o sigam." - Papa Pio IX, Carta ao Bispo Brizen, citado em "In His Name", E. Christopher Reyes, 2010

Diz na Sagrada Escritura:

"Ai de vós, filhos rebeldes! - oráculo de Javé. Fazeis planos que não nascem de Mim, fazeis acordos sem a minha inspiração, de maneira que amontoais erros e mais erros". (Isaías 30,1)

"Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te". (Apocalipse 3, 15 -16)

"Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno".(São Mateus 5, 37)

."JESUS disse-lhes: "Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. Em vão, pois Me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (Is. 29,13). Deixando o mandamento de DEUS, vos apegais à tradição dos homens." (Marcos. 7, 6-9)

"Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!" (Romanos 1, 25)

Declarou o Arcebispo  francês Marcel Lefebvre

Em Homilia proferida em Lille, em 29 de agosto de 1976.

"Não somos contra ninguém. Não somos destacamentos. Não desejamos mal a ninguém. Queremos somente que nos deixem professar nossa fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. E por causa disso nos expulsam de nossas igrejas, expulsam esses pobres padres que dizem a missa tradicional pela qual todos os nossos santos e nossas santas foram santificados: Santa Joana d’Arc, o Santo Cura d’Ars, Santa Teresa do Menino Jesus.

E é por isso que não estamos no cisma, somos os continuadores da Igreja católica. São aqueles que fazem as novidades que estão no cisma. Nós continuamos a Tradição, e é por isso que devemos confiar, não devemos nos desesperar mesmo diante da situação atual, devemos manter, manter nossa fé, manter nossos sacramentos, apoiados sobre vinte séculos de tradição, apoiados sobre vinte séculos de santidade da Igreja, de fé da Igreja.

Alguns jornalistas me perguntaram por vezes: “Monsenhor, o senhor se sente isolado?”. “De modo algum, de modo algum, não me sinto isolado, estou com vinte séculos de Igreja, e estou com todos os santos do céu!”

Apariçöes de Nossa Senhora: Japäo- A Advertência de Akita.

A aparição foi considerada autêntica, como foram Lourdes, La Salette, Fátima...

Parte da mensagem recebida pela monja Agnes Katsuko Sasagawa:

A PROFECIA DE NOSSA SENHORA SE CUMPRE, ELA DISSE

"O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais, e bispos contra bispos. Serão desprezados os padres que me veneram e terão opositores em todos os lugares. Haverá vandalismo nas Igrejas e altares. A Igreja estará cercada de asseclas do demônio que conduzirá muitos padres a lhe consagrar a alma e abandonar o serviço do Senhor".

 

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A Crise da Fé: Análise Crítica do Relatório Parcial do Sínodo da Família

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